Por Josi Gonçalves*
E ela quis mudar. Decidiu ser livre. Olhou pro secador, seu parceiro de tantos natais, e o guardou com cuidado na frasqueira. Não sem antes lhe dizer:
- Não é pra sempre. Nada é pra sempre. Vamos só dar um tempo. É possível que vez ou outra eu venha te visitar. Quando bater a saudade, sabe? Não me entenda mal. Eu tava virando sua refém, me entende? E liberdade é uma coisa que me atrai. E muito. E eu preciso ser livre.
Depois disso, ela se olhou no espelho. Os cabelos lisos, fruto de anos de escova de gel, de ostra, de chocolate, de formol, japonesa, definitiva, progressiva, aos poucos foram cedendo espaço para os fios rebeldes. Como ela. Tal e qual ela é: sem dono, sem doma.
E ela foi pro salão.
Lá, se livrou dos últimos resquícios de cara de menina comportada.
Radicalizou.
E voltou pra casa serena. Nem parecia que tinha libertado um vulcão dentro de si.
* Josi Gonçalves é jornalista, casada com Francisco Costa, também jornalista (e dos bons), mãe de um nerd chato pra burro chamado Ângelo e do pequeno Davi - que veio ao mundo para a mãe exercitar a arte da paciência - e Filha da Pauta.


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