terça-feira, 21 de julho de 2015

O passado que atormenta

Por Amabile Casarin

"Este foi o beijo de despedida
Que se dá uma vez só na vida". *

Quantos beijos de despedidas é possível acontecer na vida?! Não dá para saber, aliás muitas vezes só percebemos que aquele foi o último beijo muito tempo depois. Em alguns casos leva-se meses para tomar consciência!

O ano era 2009, em uma cidade perdida entre o nada e o lugar nenhum. Uma garota perdidamente apaixonada (no sentido literal também) resolve se despencar nesta cidade em um momento totalmente inoportuno. Mesmo não podendo ela arrisca tudo e vai. Vira a noite viajando em um ônibus e depois pega outro ônibus para conseguir chegar à cidade. Mas o amor (ou melhor, a paixão) era tão grande que não havia obstáculos. Depois de dois dias de muita alegria, chegou a hora de pegar mais dois ônibus para voltar pra casa.

_ Nunca duvide do meu amor, ele disse na despedida. Com um beijo final, eles separaram-se.
Esta frase martelou na cabeça por horas, dias, anos. Ora causando felicidade, ora causando raiva. Raiva, sim, porque ele não mostrou este amor em atitudes.

A distância, a carência, o desejo, a necessidade pesaram e nos meses seguintes, brigas homéricas ocorreram via internet! Até que, cansada de viver um amor solitário, ela decide acabar tudo o que não existia. Decidida e imaginando ser dona do próprio coração ela manda um recado a ele falando que não queria mais nada. Mais uma briga ocorre, mas não foi definitiva... outras viriam.

Ah, os 23 anos!!!! Que idade maravilhosa! Você pode tudo! Você imagina que manda no seu cérebro e no coração! Você não mede as consequências! Você simplesmente vai e dane-se se machucar ou machucar alguém! Você sempre acha que está certo! Nada além de você importa!

Talvez este tenha sido o maior erro: pensar que mandava no coração e que poderia esquecê-lo quando quisesse. Não, não foi assim. Ela lembrava dele a todo momento! Aí um dia, não aguentando mais aquela ausência, ela decide ligar para ele e ouve que ele estava muito feliz com outra pessoa. A partir disto não havia mais nada o que fazer. Todos os acertos foram esquecidos, mas os erros não!

Aos poucos, beeeeeem aos poucos mesmo, o amor foi morrendo e ela foi esquecendo do cheiro, da voz, dos gostos, até de algumas histórias. Mas a cicatriz que ficou marcou-a para sempre. Marcou a ponto de fazer ela evitar entregar-se ao amor novamente... até aparecer a pessoa mais errada na vida dela. Mas isto é outra história...


"Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora, com certeza, eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois". *

* Música "Você vai lembrar de mim" do Nenhum de nós



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