Por Josi Gonçalves*
Quem tem filho pequeno já sabe: somos obrigados a decorar um monte de nomes de personagens que fazem parte do mundinho deles. Pra isso temos que, vez por outra, abandonar as tarefas que a vida adulta nos impõe para assistir desenho com os filhotes. E foi zapeando entre um canal e outro que vi um desenho muito bacana. Acho que chama-se Super Toons.
Já peguei a historinha pela metade. Mas o diálogo que vi entre uma menina e uma porquinha me chamou a atenção. A porquinha questionava a menina porque não podia brincar de carrinho. Decidida a mostrar que aquilo não era brincadeira só de menino, ela chamou a amiguinha para descobrir meninas que se divertiam com carrinhos.
Não demorou muito pra verem uma “menina grande" brincando com um "carro grandão". E depois viram outras e outras “meninas" dirigindo seus veículos.
Um olhar mais atento e elas perceberam "meninos grandes" brincando com suas "bonecas de verdade” e outros empurrando carinhos com suas bonequinhas de carne e osso.
Achei interessante a abordagem. Nós, adultos, somos uns tolos preconceituosos. Dividimos tudo. Por cores: rosa e azul, preto e branco, por religião, por gênero, por nacionalidade. Somos, tais quais marionetes, regidos por uma ética seletiva.
Dizemos que somos modernos, mas repetimos velhos conceitos ultrapassados. Roupa cor de rosa em meninos é coisa de gay. Se uma menina gosta de brincar de carrinho, já era. É sapatão.
A mesma mulher que não compra, nem morta, uma roupa rosa para o filho, acha super chique, e sexy até, um homem vestido com camisa da cor tida como feminina.
A mesma mãe que não quer que a filha brinque de carrinhos, paga as aulas de auto escola da filha de 18 anos.
É preciso que sejamos mais que humanos guiados cegamente por estereótipos. É preciso sermos tão somente humanos. E, como já disse Charles Chaplin, "A humanidade não se divide em heróis e tiranos. As suas paixões, boas e más, foram-lhe dadas pela sociedade, não pela natureza”.
* Josi Gonçalves é jornalista, casada com Francisco Costa, também jornalista (e dos bons), mãe de um nerd chato pra burro chamado Ângelo e do pequeno Davi - que veio ao mundo para a mãe exercitar a arte da paciência - e Filha da Pauta.

Nenhum comentário:
Postar um comentário