terça-feira, 21 de julho de 2015

Julho

Por Wania Evangelista

Nunca vou me esquecer do primeiro contato que tive com um dos grandes amores de minha vida. Lembro-me do meu coração batendo forte, da fixação, de como fiquei hipnotizada. Foi uma paixão arrebatadora. Por dias não pensava em mais nada. Eu queria mais, precisava conhecer melhor aquilo. Apesar de minha memoria fraca, e ainda hoje não me lembrar de muita coisa da infância, disso eu lembro com perfeição.

Eu era uma menina franzina de uns doze anos, que como a maioria das meninas pobres de minha época vivia sem nenhuma perspectiva ou paixão. Mas de repente, numa manhã de domingo, depois da missa, deparei-me com o que seria um amor para uma vida inteira. Eu não sabia nem podia imaginar o quanto esse amor me influenciaria, mudaria meu jeito de ser e pensar, de ver o mundo. Foi nos lábios de um menino também da minha idade que minha vida mudou. Para sempre serei grata a “Purumga”, moleque sapeca e queimando de sol.  No som de sua voz ouvi pela primeira vez uma música da Legião. Os versos de Faroeste Caboclo que despretensiosamente cantarolava me arrebataram, foi paixão a primeira vista. Aquela letra forte de um “quase repente” me tocou bem lá no fundo. Pedi pra ele repeti e repeti. Que música era aquela? Quem cantava? Cansado da minha insistência e para se livrar de mim, “Purumga” me emprestou uma fita. Foram dias, ouvindo, dando play no toca fitas e copiando. Os mais jovens não podem imaginar o quanto era trabalhoso, no inicio da década de 90, aprender a letra de uma música. Quanto mais ouvia, mais me identificava e mais me apaixonava. Com “pais e filhos” chorei, com “Que pais é este? pude gritar e externar toda a minha raiva e revolta de criança pobre. Minha paixão continuou por um longo período e virou amor, mesmo não tendo assistido um único show da Legião por toda a vida. Assim como a religião moldou meu coração e meu caráter, o rock me politizou, as palavras de Renato Russo despertaram em mim um senso crítico em relação à politica e ao Brasil. Depois de algum tempo esse amor ganhou novos capítulos com Paralamas, Engenheiros, Kid Abelha, Capital, Titãs, Cazuza e tantos outros. O amor ficou forte e sólido. Também ouvi” É o Tchan” e me divertir muito com os passinhos de Axé no carnaval.

Contudo a capacidade de transmitir através da escrita os sentimentos mais profundos, os desejos de toda uma nação ou a vontade de transformar o mundo em um lugar melhor sempre me impressionou. Portanto, me desculpem os que não concordam, mas apenas o rock consegue colocar todos esses sentimentos dentro de uma canção de forma forte, clara e contagiante. Logo, deixo aqui, no mês do rock o meu apoio a Monica Iozzi: Que os jovens de hoje deixem de ouvir apenas música sertaneja e funk e passem a ouvir um pouquinho mais de rock, assim, quem sabe consigam construir um mundo muito melhor no amanhã. Essa é também uma responsabilidade para nós, pais dessa nova geração. Que tipo de música você ensina seu filho a ouvir? O que você está ouvindo com ele?

*Durante o programa "Vídeo Show" do dia 7/o7/15, a apresentadora Monica Iozzi se confessou fã de Cazuza após um clipe que relembrava os 25 anos da morte do cantor. Aproveitou ainda para recomendar aos telespectadores que eles vissem o filme "Cazuza – O Tempo Não Para", com o ator Daniel de Oliveira, e acrescentou: "Eu gosto de sertanejo, mas não pode ser só isso. Vamos parar de ouvir um pouco de funk, vamos parar de ouvir um pouco de sertanejo. Vamos ouvir Cazuza, vamos ouvir Legião Urbana, vamos ouvir Ellis Regina". Monica foi muito criticada nas redes sociais.

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