
Nunca vou me esquecer do primeiro contato que tive
com um dos grandes amores de minha vida. Lembro-me do meu coração batendo forte,
da fixação, de como fiquei hipnotizada. Foi uma paixão arrebatadora. Por dias não pensava em
mais nada. Eu queria mais, precisava conhecer melhor aquilo. Apesar de minha memoria fraca, e ainda hoje não me
lembrar de muita coisa da infância, disso eu lembro com perfeição.
Eu era uma menina franzina de uns doze anos, que
como a maioria das meninas pobres de minha época vivia sem nenhuma perspectiva
ou paixão. Mas de repente, numa manhã de domingo, depois da missa, deparei-me
com o que seria um amor para uma vida inteira. Eu não sabia nem podia imaginar
o quanto esse amor me influenciaria, mudaria meu jeito de ser e pensar, de ver
o mundo. Foi nos lábios de um menino também da minha idade que minha vida
mudou. Para sempre serei grata a “Purumga”, moleque sapeca e queimando de sol. No som de sua voz ouvi pela primeira vez uma
música da Legião. Os versos de Faroeste Caboclo que despretensiosamente cantarolava
me arrebataram, foi paixão a primeira vista. Aquela letra forte de um “quase
repente” me tocou bem lá no fundo. Pedi pra ele repeti e repeti. Que música era
aquela? Quem cantava? Cansado da minha insistência e para se livrar de mim, “Purumga”
me emprestou uma fita. Foram dias, ouvindo, dando play no toca fitas e copiando.
Os mais jovens não podem imaginar o quanto era trabalhoso, no inicio da década
de 90, aprender a letra de uma música. Quanto mais ouvia, mais me identificava
e mais me apaixonava. Com “pais e filhos” chorei, com “Que pais é este? pude
gritar e externar toda a minha raiva e revolta de criança pobre. Minha paixão
continuou por um longo período e virou amor, mesmo não tendo assistido um único
show da Legião por toda a vida. Assim como a religião moldou meu coração e meu caráter,
o rock me politizou, as palavras de Renato Russo despertaram em mim um senso
crítico em relação à politica e ao Brasil. Depois de algum tempo esse amor
ganhou novos capítulos com Paralamas, Engenheiros, Kid Abelha, Capital, Titãs,
Cazuza e tantos outros. O amor ficou forte e sólido. Também ouvi” É o Tchan” e
me divertir muito com os passinhos de Axé no carnaval.
Contudo a capacidade de transmitir através da
escrita os sentimentos mais profundos, os desejos de toda uma nação ou a
vontade de transformar o mundo em um lugar melhor sempre me impressionou. Portanto,
me desculpem os que não concordam, mas apenas o rock consegue colocar todos
esses sentimentos dentro de uma canção de forma forte, clara e contagiante. Logo,
deixo aqui, no mês do rock o meu apoio a Monica Iozzi: Que os jovens de hoje
deixem de ouvir apenas música sertaneja e funk e passem a ouvir um pouquinho
mais de rock, assim, quem sabe consigam construir um mundo muito melhor no amanhã.
Essa é também uma responsabilidade para nós, pais dessa nova geração. Que tipo
de música você ensina seu filho a ouvir? O que você está ouvindo com ele?
*Durante o programa "Vídeo Show"
do dia 7/o7/15, a apresentadora Monica Iozzi se confessou fã de Cazuza após um
clipe que relembrava os 25 anos da morte do cantor. Aproveitou ainda para
recomendar aos telespectadores que eles vissem o filme "Cazuza – O Tempo
Não Para", com o ator Daniel de Oliveira, e acrescentou: "Eu gosto de sertanejo, mas não pode ser só isso. Vamos
parar de ouvir um pouco de funk, vamos parar de ouvir um pouco de sertanejo.
Vamos ouvir Cazuza, vamos ouvir Legião Urbana, vamos ouvir Ellis
Regina". Monica foi muito criticada nas redes sociais.
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