segunda-feira, 13 de julho de 2015

Confissões adiposas


Caraca, moleque, como é difícil aceitar que a velhice se avizinha de nós! Um dia você se olha no espelho e percebe que aquele corpo todo durinho, com os peitos apontando para o céu, já não existe mais. Aí você resolve fazer uma espécie de 'raio x' no seu corpo inteiro. 

Toma coragem e começa a inspeção naquele espelho onde você só costuma se olhar de verdade depois que colocou aquela roupa que só entrou e se ajustou ao seu corpo após você colocar aquela cinta que disfarça a barriga de quatro meses de gestação. Acontece que tem tudo lá dentro da pança: gordura, resquícios de chopp e da lasanha de domingo. Pode ter até lombriga, menos bebê. 

Meu senhor, essa barriga não deveria me pertencer!! E essas celulites, meu Jesus cristinho??? Credo, Jeová, o que aconteceu com aquela bunda empinadinha?? Você desiste de se ver. Que vergonha! Senta na cama. 

Mil pensamentos correm insanamente pelo seu cérebro em conflito. Insatisfação, inveja da bunda da Kim Kardashian, raiva da barriga chapada da Gisele Bundchen e culpa, muita culpa. 

Culpa por não conseguir, absolutamente, ter força de vontade para fazer aquela dieta que você se promete fazer todo início de mês. Seja a dos pontos, dos carboidratos, do Dr. fulano de tal, do limão, do ovo ou a do zíper na boca. 

Culpa por não colocar em prática o plano infalível de fazer zumba pra queimar calorias. E a caminhada, meu Deus?! Tão fácil e tão barata de fazer! Nessas alturas, seu ombro já despencou e sua postura não é nada bonita nem agradável de se ver. Aí você se lembra que até hoje não conseguiu juntar aquele dinheiro pra fazer a tão sonhada recauchutagem. 

Você levanta de novo, se mede de alto a baixo no espelho e, agora, com a cara amassada pelo choro, você está pior ainda. O que fazer? Se matar? Não vai resolver. 

Se você for pro inferno, Satanás vai tirar onda da tua cara e te obrigar a ralar feito uma condenada pra ver se você emagrece. Só de sacanagem. Isso é a cara dele. Se for pro céu, não vai ter asa, por mais reforçada que seja, que consiga sustentar o teu peso. Vai ficar vendo a galera voar de um lado pro outro e você ali comendo mais um pote de manjar dos deuses. Se for pro purgatório, pior ainda. Uma pessoa que não consegue fazer regime vai ter lá forças pra sair da zona intermediária entre o céu e o inferno??!!! 

Na real? Não há como ter o corpinho dos 18 de volta. É fato. Mas só há duas formas de olhar-se no espelho e gostar do que se vê: aceitando as banhas e os pneus ou mudando o que nos torna barangas. A segunda opção parece mais interessante. Há que se pensar, no entanto, em alguns fatores. 

Primeiro: você tem dinheiro? Não? Então aborte a ideia de ficar gostosa depois daquela tão sonhada abdominoplastia. 

Segundo: tem filhos, emprego, dupla jornada de trabalho? Então se conscientize que você precisa achar uma brecha em sua agenda para a prática de atividade física. Sem culpa. Filhos ou marido não vão morrer se ficarem uma ou duas horas a mais sem você. Não conheço nenhuma criança da minha geração que faça análise hoje porque a mãe furtou um tempinho pra ir à academia. 

Terceiro: Não tem dinheiro pra cirurgia, pra academia e nem tem com quem deixar os filhos? Aí, meu amor, a única alternativa que resta é fechar a boca. Como dizem aqui no nordeste, passe um riri (zíper) na boca e reduza a alimentação. Só saiba que emagrecer é uma coisa, sumir com as pelancas só com cirurgia ou indo na Igreja Universal do Reino de Deus pedir um milagre. 

Importante: não venha com aquela historinha que “Não adianta. Eu faço exercício, fecho a boca e continuo gorda porque meu metabolismo é lento e porque tenho problemas hormonais”. Não convence ninguém. É mentira das brabas e Deus tá vendo!! 

Outra coisa: não se boicote. De nada adianta comer salada e franguinho grelhado no almoço pra bancar a dedicada ao regime e de madrugada atacar a geladeira feito uma louca desvairada. Deus continua vendo. 

Por último: Tenha consciência que vai cair em tentação um monte de vezes. Se perdoe por isso. Mas não esqueça de olhar-se no espelho a cada resvalada e admita que a culpa de não caber no manequim 38 ou 40 é apenas sua. Aí você decide se quer continuar sendo vilã ou mocinha. 

Essa semana eu estreio um novo filme na minha vida. Apesar de achar a vilania bem interessante, optei pelo papel de protagonista do bem. Vou emagrecer e mostrar pra esse FdaP do meu corpo que quem manda nele sou eu. Agora fiquei confusa. Isso é ser vilã ou mocinha?

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