Malditas mulheres que “queimaram” seus sutiãs. Graças a
mulheres como elas eu sou obrigada a trabalhar para pagar minhas contas.
Benditas mulheres que protestaram pelos direitos femininos. Graças a elas eu
tive oportunidade de estudar e não preciso “prestar contas” da minha vida a
ninguém.
Ao longo dos anos, as mulheres vêm ocupando espaços e
conquistando sua liberdade. Mas esta conquista gerou (e ainda gera) muita
confusão sobre o papel de homens e mulheres na sociedade. Se na época de meus
avós já era pré-determinado que as mulheres deveriam casar, ser donas de casa,
criar os filhos e ser submissa ao marido, hoje elas podem simplesmente não
casar, não ter filhos e não ser submissa a ninguém.
Estamos vivendo uma época em que as pessoas não são mais
regidas por convenções, mas sim por desejos e capacidade individual. O problema
disto tudo é não saber que tipo de comportamento esperar do sexo oposto, além
de nem todos estarem preparados para toda esta autonomia.
Mas uma das coisas que me chateia é que, apesar da evolução, os
homens ainda classificam as mulheres entre as para casarem e as para se
divertirem. Aí eu me pergunto: o que faz um homem pensar que uma mulher não
serve para ser sua esposa por ela ter vida própria?
Ainda impera a hipocrisia em que a mulher tem que ser
recatada para conseguir ter um relacionamento. Mulheres independentes e que não
gostam de joguinhos sempre ficam no grupo das que são para diversão.
Só que é preciso lembrar ao sexo masculino que uma
mulher não vai para cama (ou qualquer outro lugar) sem vontade. Se for forçada
a ir, passa a ser um crime. Com exceção das prostitutas (que não tem parceiros
e sim clientes), todas as mulheres escolhem seus parceiros. Se há vontade nela,
se há vontade nele, por que não ficar? Simplesmente porque ela será taxada de
vagabunda. E daí?
Embora tenhamos conquistado muitos
direitos, ainda falta conquistarmos alguns, como o respeito e o direito de ser
dona do próprio corpo sem julgamentos.
* Texto reeditado.