segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Mulheres, simplesmente mulheres! *

Por Amabile Casarin

Malditas mulheres que “queimaram” seus sutiãs. Graças a mulheres como elas eu sou obrigada a trabalhar para pagar minhas contas. Benditas mulheres que protestaram pelos direitos femininos. Graças a elas eu tive oportunidade de estudar e não preciso “prestar contas” da minha vida a ninguém.
Ao longo dos anos, as mulheres vêm ocupando espaços e conquistando sua liberdade. Mas esta conquista gerou (e ainda gera) muita confusão sobre o papel de homens e mulheres na sociedade. Se na época de meus avós já era pré-determinado que as mulheres deveriam casar, ser donas de casa, criar os filhos e ser submissa ao marido, hoje elas podem simplesmente não casar, não ter filhos e não ser submissa a ninguém.
Estamos vivendo uma época em que as pessoas não são mais regidas por convenções, mas sim por desejos e capacidade individual. O problema disto tudo é não saber que tipo de comportamento esperar do sexo oposto, além de nem todos estarem preparados para toda esta autonomia.
Mas uma das coisas que me chateia é que, apesar da evolução, os homens ainda classificam as mulheres entre as para casarem e as para se divertirem. Aí eu me pergunto: o que faz um homem pensar que uma mulher não serve para ser sua esposa por ela ter vida própria?
Ainda impera a hipocrisia em que a mulher tem que ser recatada para conseguir ter um relacionamento. Mulheres independentes e que não gostam de joguinhos sempre ficam no grupo das que são para diversão.
Só que é preciso lembrar ao sexo masculino que uma mulher não vai para cama (ou qualquer outro lugar) sem vontade. Se for forçada a ir, passa a ser um crime. Com exceção das prostitutas (que não tem parceiros e sim clientes), todas as mulheres escolhem seus parceiros. Se há vontade nela, se há vontade nele, por que não ficar? Simplesmente porque ela será taxada de vagabunda. E daí?
Embora tenhamos conquistado muitos direitos, ainda falta conquistarmos alguns, como o respeito e o direito de ser dona do próprio corpo sem julgamentos.

* Texto reeditado.