segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Nunca se sabe!

A busca da melhora pessoal é um caminho longo. Muitas vezes nesta caminhada nos deparamos com algumas situações inusitadas.

Aprendemos que nunca vamos saber tudo que precisamos, mas também que talvez nossos defeitos reflitam mais que nossas imperfeições. Ter defeitos é inevitável, é humano. Amar e viver com alguém que é diferente de você em tudo é nosso desafio, quando digo AMAR é no âmbito das relações humanas. Às vezes me pego pensando, eu preciso mudar. Sou muito impulsiva, sou mandona, sou relapsa em alguns momentos e  “grudenta” em outros. Não ligo, não mando mensagem, mas gosto de atenção. Tenho crises seríssimas de egoísmo, às vezes me comporto como uma criança pirracenta, sou mimada, faço drama e choro a toa. Sou preguiçosa, introspectiva e meu mundo gira em torno dos meus sentimentos.

Jesus, como tenho defeitos!

Sei que tenho que mudar, mas às vezes o mudar é melhorar, pois todas aquelas coisas horríveis que citei lá em cima sou eu, não vou me curar de mim, é humanamente impossível. Ter amigos ou conviver com pessoas que comungam de todas as minhas coisas boas (eu também tenho qualidades, é serio!) é muito fácil. O que nos aproxima ou nos afastam das pessoas são, pra mim, nossos defeitos. Qualidades boas, a meu ver, não deveriam ser usadas como parâmetro das relações humanas, exceto nas relações de interesse.

Não que ache que devemos abraçar essa ideia e esquecer o processo de evolução, este deve ser constante, pois sendo seres inacabados estamos sempre mudando, (pra melhores e pra piores), mas também temos que saber aceitar nossas limitações. Não quero que meu discurso se pareça com “muletas do dia-a-dia”, do tipo que nos escoramos e podemos seguir em frente, mas que seja visto como o que a Clarice Lispector disse: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.  

Nossos defeitos é o que realmente nos define e um dia aprendemos que o longo caminho da melhora, muitas vezes, não passa de caminhadas em círculos.


“Se eu fosse um cara diferente, sabe lá como eu seria" (Concreto e Asfalto - Engenheiros do Hawai)

domingo, 6 de dezembro de 2015

O riso do Urubu e a queda do Gigante

*Por Ivanete Damasceno

É tão bom chegar o domingo e reunir os amigos para uma boa partida de futebol. Claro, fora das quatro linhas. Afinal, melhor que jogar é assistir, é torcer, é vibrar com cada lance. Até mesmo sozinho. O seu coração pulsa mais forte, acelera. Te faz ter arritmia cardíaca ainda bem jovem. E quando o seu time do coração perde, mas o maior rival é rebaixado, a comemoração com certeza é igual ao título do campeonato.

Se o futebol perde? Sim. Mas ao mesmo tempo ganha. Ganha a sensação de saber que nem tudo é eterno. Que os bons (sim, eles nos venceram várias vezes este ano) também caem. Mas o melhor de tudo. Ganha o torcedor que pode zoar o amigo, o colega de trabalho, o parente. Ganha o que perdeu, pois afinal ele pode ter um título que seu time não tem (e espero que não tenha nunca).

É João, Francisco, Maria, Antônio, José, Bernardo, Fábio, José, Adriana, Fátima, Vitória. Todos riem. Todos choram. Todos vibram. Cada um com seu motivo. Cada um com sua emoção. Mas todos com a mesma razão: o apaixonante futebol. Cada bola que passa tirando tinta da trave, deixa aquele gosto que "quaaaase!". Cada defesa do goleiro, ele recebe o título de herói. Cada passe que mais parece um pintura, e o meia é o maestro.

Mas aí os sentimentos de misturam. As frustrações aparecem. Não deu. A bola foi pra fora. Por que o atacante não finalizou direito? Por que não se esforçou um pouquinho mais? Agora não dá. Agora acabou. Agora só ano que vem. Na mesma série. Em nova série. Enfim. Este é o futebol. Eletrizante. Apaixonante. Cheio de emoções. E você pode olhar de cima, porque graças aos que perderam mais que você, agora é bom olhar de cima e ver o rival dando tchau. Ladeira abaixo. Aliás, deixa o A e segue para Baixo, porque a zueira não tem fim!


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

É melhor sorrir

 Por Ivanete Damasceno

Hoje, acordei triste. E fiquei algum tempo na cama lembrando do tempo em que eu era criança. Não consigo recordar-me se alguma dia a tristeza era a primeira a chegar. Naquela época, apesar das dificuldades, tudo parecia ser mais fácil. Era um café sem leite, um pão quando dava, um inhame ou macaxeira cozida. Na verdade, tenho poucas recordações.

E passei o dia inteiro pensando... Como a vida dá voltas e nos faz perceber que o pequeno, o menor gesto pode ter mais valor do que qualquer presente. São palavras que nunca são ditas, são olhares que não surgem, é o tempo desperdiçado com os mais importantes afazeres que nos impedem de agir. E no fim, o que levaremos? O que aproveitamos do dia? Com quem encontramos? Será que respondemos ao bom dia? Será que percebemos se o amigo estava triste? Será que fomos responsaveis pela alegria de alguém?

Não tenho as respostas. E tão pouco saberei. O tempo passa rápido e não dá para ficar pensando se o dia vai ser triste ou ruim. Se vai ser fácil ou difícil. Acredito que o melhor a fazer é viver. É aproveitar cada segundo para ser melhor. Para viver melhor. Para ser fonte de vida para alguém. Para ser fonte de vida para mim mesma. O melhor é sorrir e viver. A tristeza? Não sei. Foi ali dá uma volta, viver a vida dela. Aproveitar o sol, enquanto é dia e a noite, quando ela chega.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Humanos ?

Por Wania Evangelista 

Li uma noticia hoje que me embrulhou o estômago. Uma menina de apenas 15 anos saiu de uma festa com um rapaz e acabou sendo violentamente estuprada por cinco homens. Os Órgãos genitais da jovem foram dilacerados, órgãos internos perfurados, utilizaram inclusive um pedaço de madeira para torturá-la, a garota sobreviveu e permanece internada na UTI, em estado grave.

Como mulher a noticia me doeu na alma. Como mãe imaginei a dor e a revolta da família, pensei que nada me abalaria mais do que aquela triste noticia. Até que tive a péssima ideia de ler os comentários sobre a matéria. O embrulho no estomago se transformou em repulsa, nojo... asco. A tristeza em revolta e decepção. Em que tipo de COISA o ser humano se transformou? Que raça é essa, que não tem compaixão ou respeito nem mesmo pelos seus iguais?

Dizem os cientistas que a inteligência nos difere dos outros animais. Somos uma raça superior. Será mesmo?

Tenho uma cadelinha pequenina, pesa menos de 10 quilos, Magali é o seu nome. Semana passada Magali estava no cio e fugiu de casa. Fiquei louca de preocupação. Cheguei a pedi a Deus em minhas orações que ela voltasse em segurança.  Três dias depois Magali voltou. Cansada, cheia de carrapato, suja, faminta, mas inteira. Os Animais irracionais que encontrou pelo caminho, não entenderam que o fato dela  querer “cruzar”, e  no caso de Magali era isso que ela realmente queria, dava a eles o direito de machucá-la. Para os cachorros que Magali encontrou, minha cadelinha apesar de cadela e simplesmente querer saciar seus impulsos naturais, não merecia ser estuprada, torturada, espancada  ou abandonada para morrer.

Não consigo entender os cinco loucos que violentamente estupraram a adolescente. Mas ver que parte das pessoas que comentam a matéria se sinta mais motivada a julgar as  decisões da menina do que condenar a ação cruel e injustificável dos homens me assombra.

O que ela fez de tão errado a ponto de merecer tamanha violência. Confiou na pessoa errada aos 15 anos?

Às vezes me pego pensando que não entenderam o que aconteceu. Pois NADA no mundo justifica o fato de que cinco homens estupraram violentamente uma adolescente.  Não existe justificativa para algo tão cruel e desumano. Ao pensar no desespero e horror que essa menina viveu, ainda tão jovem e nas marcas que terá que carregar pela vida, caso sobreviva, meu coração se enche de compaixão e dor, não sobra espaço para mais nada.


Talvez, se nós homens fossemos mais parecidos com os animais e menos inteligentes o nosso mundo seria bem mais “humano”. Graças a Deus que ainda temos esperança,  outros  comentários demonstraram compaixão, amor e solidariedade, vamos nos agarrar a eles. Afinal , ainda podemos ter esperança. 

Segue link da matéria http://vipnoticias.com.br/noticia.php?cod=5697

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Mulheres, simplesmente mulheres! *

Por Amabile Casarin

Malditas mulheres que “queimaram” seus sutiãs. Graças a mulheres como elas eu sou obrigada a trabalhar para pagar minhas contas. Benditas mulheres que protestaram pelos direitos femininos. Graças a elas eu tive oportunidade de estudar e não preciso “prestar contas” da minha vida a ninguém.
Ao longo dos anos, as mulheres vêm ocupando espaços e conquistando sua liberdade. Mas esta conquista gerou (e ainda gera) muita confusão sobre o papel de homens e mulheres na sociedade. Se na época de meus avós já era pré-determinado que as mulheres deveriam casar, ser donas de casa, criar os filhos e ser submissa ao marido, hoje elas podem simplesmente não casar, não ter filhos e não ser submissa a ninguém.
Estamos vivendo uma época em que as pessoas não são mais regidas por convenções, mas sim por desejos e capacidade individual. O problema disto tudo é não saber que tipo de comportamento esperar do sexo oposto, além de nem todos estarem preparados para toda esta autonomia.
Mas uma das coisas que me chateia é que, apesar da evolução, os homens ainda classificam as mulheres entre as para casarem e as para se divertirem. Aí eu me pergunto: o que faz um homem pensar que uma mulher não serve para ser sua esposa por ela ter vida própria?
Ainda impera a hipocrisia em que a mulher tem que ser recatada para conseguir ter um relacionamento. Mulheres independentes e que não gostam de joguinhos sempre ficam no grupo das que são para diversão.
Só que é preciso lembrar ao sexo masculino que uma mulher não vai para cama (ou qualquer outro lugar) sem vontade. Se for forçada a ir, passa a ser um crime. Com exceção das prostitutas (que não tem parceiros e sim clientes), todas as mulheres escolhem seus parceiros. Se há vontade nela, se há vontade nele, por que não ficar? Simplesmente porque ela será taxada de vagabunda. E daí?
Embora tenhamos conquistado muitos direitos, ainda falta conquistarmos alguns, como o respeito e o direito de ser dona do próprio corpo sem julgamentos.

* Texto reeditado.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A Gaveta Proibida


Por Janete Kozak

Há alguns dias tinha pensamentos mórbidos e tristes. Sentia-se doente e isso lhe causava  crises  semi-depressivas horríveis desde a adolescência.  Sentada em frente à TV, ziguezagueava pelos canais em busca de alguma programação interessante.
Mas a filha pedira para urinar. Tirara-lhe a roupa de baixo e a mandara ao banheiro para que se virasse sozinha. Era hora de aprender o básico da higiene pessoal.
E ela demorava a voltar. Chamou-lhe. De lá ouviu alguns resmungos. Pronto. Estava viva e estava bem. Algum tempo depois chamou de novo.
De repente a pequena irrompe à porta. Trazia nas mãos e colados as pernas e braços, meia dúzia de absorventes íntimos, todos inutilizados, sujos. A danada havia mais uma vez bisbilhotado a gaveta do banheiro. Mil pensamentos de surra, castigo, repreensão e sermões passava-lhe pela cabeça. Como podia um serzinho tão pequeno fazer tanta bagunça?
E brigou com a pequena. Brava. Firme. Irredutível. E a cara  animada da menina de pouco mais de dois anos fechou-se e deu lugar a um rosto choroso e triste. “Você brigou comigo”, dizia, aos choramingos.
                Então, numa fração de segundo, lembrou-se do passado, lembrou-se da mãe. De quando também era criança, no proibido quarto dos pais. Lembrou-se de como era bom descobrir onde ficava a chave, adentrar aquele misterioso quarto, abrir o armário e sentir o cheirinho gostoso da naftalina misturado ao perfume da mãe. Coisa melhor no mundo não tinha. Vestir os vestidos dela, encontrar lá no fundo o mosquiteiro guardado e fazer dele véu e vestido de noiva. Casara-se tantas vezes ali no quarto dos pais, vestida das mais ricas túnicas de tule de mosquiteiro. Depois punha tudo no lugar, dobradinho, pra mãe não perceber a invasão.
E tinha a caixinha de moedas. Troco da feira que a mãe guardava. Tirava uma moedinha só, pra ela não sentir falta. Compraria balas na escola. A mãe nunca lhe dava moedas pro lanche. Não fora educada pra isso. Não podia.
E a gaveta das velas? A misteriosa e amedrontadora gaveta das velas. Eram escuras, artesanais. Certa vez a mãe explicara que as herdara da avó e que seriam usadas em caso de morte de alguém na família. Nunca mais abrira a gaveta das velas. Elas traziam maus agouros.
Olhou para os absorventes na mão da menina. Não serviam mais mesmo. Iriam para o lixo. Não tinha muito o que salvar. A garota apenas crescia e cheia de curiosidades, aprendia. Pensou nas muitas vezes que a mãe não brigara por faltar moedas. Será que ela nunca percebera? Ou será que apenas não quisera interferir, pra não se desgastar com a filha? Talvez recordasse ela também de quantas vezes invadira secretamente o quarto da matriarca.
Era o ciclo da vida, como a ciência explica: primeiro se nasce, cresce, reproduz e morre. A filha ainda crescia, mas ela, a mãe, já estava no penúltimo estágio. Só faltava morrer.
Era o melhor a ser feito. Respirou fundo, puxou a menina para o colo, tomou-lhe os absorventes e os colou pela cara, barriga e onde mais houvesse espaço. “Você é muito danadinha” falou para a menina. E brincaram de colagem corporal até que não restasse um só vestígio de cola nos absorventes. Riso alto, correria, bagunça até cair no sono.
Era a vida que seguia. A filha apenas fazia o que a mãe já fizera, o que a avó já fizera, a bisavó, a tataravó e as demais antecessoras. Encheu a si de orgulho e a filha de beijos. Ela merecia. Era a coisa mais preciosa que já fizera até hoje.



segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O que você vai ser quando crescer?

Vivemos em tempos de dores, das mais diversas pelos mais torpes, incompreensíveis e/ou incontroláveis motivos. São tempos difíceis onde trocamos de lugar, passamos da alma pra lama. Trocamos valores por números como se ambos significassem a mesma coisa. Pra onde estamos indo? Talvez generalizar seja um grande erro, falarei por mim. Desnudarei-me.

Desde que me entendo por gente tinha como objetivo o bem. Isso não foi algo que eu aprendi, eu nasci com isso, com essa preocupação e essa capacidade de me colocar no lugar do outro (prova disso que quando tinha meus cinco ou seis quando contávamos aquela famosa musiquinha na fila ou na sala de aula “Há três noites que eu não durmo, ola lá! Pois perdi o meu galinho, ola lá! Coitadinho, ola lá! Pobrezinho, ola lá! Eu perdi lá no jardim” meus coleguinhas todos animados contentes batendo palmas e eu sempre, SEMPRE, caía no choro pois não conseguia deixar de pensar no pobrezinho dono do galo e no  galinho perdido. Coitado, tinha três noites que ele não dormia, já pensaram o quanto ele estava desesperado, chorando e pedindo pelo pobre animalzinho? Pois então, eu com cinco ou seis anos pensava, eu não conseguia me concentrar em outra parte da musica e não entendia como eles conseguiam gostar daquela musica. Isso é uma coisa que nunca esqueci da minha infância e tristemente digo que é uma coisa que sinto saudade.

O que eu fiz da minha vida? O que eu fiz com meus princípios? Não que eu seja uma bruxa ou uma propagadora do mal, mas sinto uma saudade fora do comum daquela pureza e singularidade. Hoje como adulta não tenho vergonha do que eu me tornei, mas também não tenho orgulho. Outro dia escrevi sobre se perder e se encontrar, pois então eu me perdi nessa busca do que ser e o que fazer, graças a Deus minha perca não me levou a caminhos obscuros, mas me levou a caminhos que não são meus. Talvez eu nem deva pensar que eu me perdi, talvez faça parte do processo de ser eu, tenha sido uma parte crucial da minha fundamentação, pois se não tivesse passado por isso não teria a bagagem e aprendizado pra chegar ate aqui e ter consciência que estou no lugar errado. Já faz dias que tomei essa decisão, estou cansada de não ser eu, voltarei a cantar (meu Deus, de novo? Fazer o quê, se vivo de reencontrando. Não sei se me perco demais ou se sou complexidade mesmo, um dia quem sabe eu aprenda, mesmo que pra isso me perca de novo kkkk).


Brincadeiras à parte, não é fácil quando você tem toda uma estabilidade emocional e financeira parar, pensar e descobrir que está errado e estar disposta a recomeçar. É isso que estou buscando nesse momento, aquela Vanderléia que era capaz de se emocionar com uma música, que pensava no outro e na sua dor. E como eu disse no enunciado vivemos tempos de dores, há uma urgência de amor e de compreensão. É isso que eu quero ser quando crescer e eu ando lutando muito por isso. CRESCER!



Foto retirada do site: http://dtcom.com.br/voce-vai-ser-quando-crescer/

P.S E nem adianta alguém dizer (ou pensar), mas ela ja passou da idade pra isso, com certas coisas nunca aprendi a crescer!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O Colchão de Três Furos

Por Janete kozak

Pensei ser inédita a idéia, quando na gravidez, sofrendo com a terrível falta de posição para dormir, com saudades de debruçar-me num colchão macio, imaginei cada detalhe do colchão de três furos.
Seriam dois furos pequenos. Atravessariam o bendito colchão na parte superior (caso colocado na vertical), cerca de 40 a 50 centímetros a partir do início deste. Seriam para os seios. Só quem já esteve grávida imagina a utilidade desses furos para depositar os seios quando deita-se de bruços. Sim, eles ficam lindos, grandes e intocáveis, tamanha a sensibilidade que os acompanha no burburinho de hormônios próprios da gestação.
O terceiro furo, fácil imaginar, seria bem ao centro do revolucionário colchão. Grande, ajustável se possível. Caberia uma barriga com a prole lá dentro, esperando a hora de nascer.
Desenhei o colchão, imaginei como faria para ajustar o orifício destinado ao barrigão para cada mês da gestação. Quem o fabricaria num material antialérgico e fresquinho?
Fui amadurecendo a idéia com o passar dos meses da gestação. Enquanto não fabricava o colchão, dormia como podia, virando-me de um lado a outro, sonhando com o dia que ajudaria tantas futuras mães a deitar confortavelmente de barriga para baixo e dormir, dormir, dormir.
Faltou patentear a idéia. Faria isso depois. Qual não foi minha surpresa quando, depois que já parira meu bebê, minha sobrinha envia uma foto capturada na internet: o colchão já existia. Não era amplamente comercializado, nem conhecido. Mas estava lá, pronto pra me mostrar o quão lenta fora eu.

Até hoje procuro o plageador que roubou minha brilhante idéia.
* Imagem tirada do site"marinarezende.com.br"

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Somos nós que fazemos a vida como der, ou puder, ou quiser...

Dizem que o importante é ser feliz... Mas será que sabemos ser felizes?

Claudio, trinta e cinco anos, morador da cidade de Colorado tem mudez e surdez de nascença. Frequentou a escola, mas segundo sua mãe devido à sua limitação não aprendeu a ler, ‘mas engana muito bem’. Ele pode não ouvir e falar, mas ver, ah isso ele vê muito bem e como um bom telespectador tratou logo de viver de acordo com seu tempo e comprou um notbook, mas isso era pouco. O mundo globalizado (e a sociedade de consumo) em que vivemos nos ensinar que um computador sem internet não é um computador. Colocou internet e navega aos montes. Quando dá algum problema com a conexão dele dá logo um jeito de avisar. Mas avisar como? Claudio é uma pessoa muito descolada e antenada com as tendências, logo ele pega seu celular e liga na loja... mas peraí,  ele não é surdo/mudo? Isso mesmo, ele é surdo/mudo, mas liga! E sempre o vejo na rua todo-todo com seu celular, quando não ta mandando mensagem (acredito eu), ta ligando (pelo menos ta sempre com o celular na orelha).

Titi é um peão de rodeio, alegre e contador de história. Conheci ele há pouco tempo e tive  pouca convivência, mas ele me deixou impressionada pela forma como escolheu viver sua vida. Ele tem um problema crônico de audição, problema esse que é facilmente resolvido se ele usar aquele aparelhinho que vai na orelha (desculpem minha 'leiguice' quanto ao termo correto), mas ele não usa. Ele escolheu não ouvir ou ouvir quase nada, já que só gritando pra ele escutar. Dizem que na sua infância, logo assim que foi detectado o problema, sua mãe lhe comprou tal aparelho. Ele tinha ficado todo-todo porque ia poder ouvir, mas alguns “colegas” da escola começaram insistentemente chamá-lo de louco e fazer todo tipo de piadinha maldosa (se fosse hoje seria o bullying, mas como foi tempos atrás era “brincadeira de criança”), fato que fez com que Titi abandonasse o aparelho. Hoje com seus vinte tantos anos, continua sem usá-lo e pedir pra ele usar é comprar briga, disse um amigo. Ele prefere viver o mundo a seu jeito. Seus assuntos são sempre os mesmos, os de quem ta querendo puxar conversar: “ta chovendo muito aqui?”, “Eu era casado, mas separei, lá no Paraná”. A solidão é sua companheira, às vezes some e fica ao longe observando as pessoas. 

Como é engraçado as contradições da vida. Um não pode ouvir, mas vive como se pudesse, outro pode, mas vive sem poder. Com certeza os dois, à sua forma, encontraram o jeito de ser feliz com suas limitações. Um vivendo como se ela não existisse, o outro como se ela não tivesse solução. Às vezes penso que o mundo do Claudio e do Titi é mais bonito que o meu. Meu mundo é pintado com as cores que vejo o deles não. O mundo deles é colorido da maneira e à maneira que eles querem, como eles sentem.  E se realmente é verdade que o que importa na vida é ser feliz e que "os fins justificam os meios,' sim, eles são felizes.

Foto: Deda

"A nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças, do que nos nossos bolsos."(Arthur Schopenhauer)


O que é, o que é?
[...]
E a vida! E a vida o que é? Diga lá, meu irmão.
Ela é a batida de um coração, ela é uma doce ilusão... E a vida, ela é maravilha, ou é sofrimento? Ela é alegria, Ou lamento? O que é? O que é? Meu irmão...
Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo, é uma gota, é um tempo que nem dá um segundo... Há quem fale que é um divino mistério profundo, é o sopro do criador numa atitude repleta de amor...
Você diz que é luxo e prazer, ele diz que a vida é viver, ela diz que melhor é morrer,
pois amada não é, e o verbo é sofrer...
 Eu só sei que confio na moça e na moça eu ponho a força da fé. Somos nós que fazemos a vida como der, ou puder, ou quiser...
Sempre desejada, por mais que esteja errada, ninguém quer a morte; só saúde e sorte...
E a pergunta roda, e a cabeça agita, e eu fico com a pureza
da resposta das crianças, É a vida, é bonita, e é bonita...

Fomos serenos num mundo veloz!




Por Que Nós? - Marcelo Jeneci


Éramos célebres líricos, éramos sãos
Lúcidos céticos, cínicos não
Músicos práticos, só de canção
Nada didáticos, nem na intenção
Tímidos típicos, sem solução
Davam-nos rótulos, todos em vão
Éramos únicos na geração
Éramos nós dessa vez

Tínhamos dúvidas clássicas, muita aflição
Críticas lógicas, ácidas não
Pérolas ótimas, cartas na mão
Eram recados pra toda a nação
Éramos súditos da rebelião
Símbolos plácidos, cândidos não
Ídolos mínimos, múltipla ação

Sempre tem gente pra chamar de nós
Sejam milhares, centenas ou dois
Ficam no tempo os torneios da voz
Não foi só ontem, é hoje e depois
São momentos lá dentro de nós
São outros ventos que vêm do pulmão
E ganham cores na altura da voz
E os que viverem verão

Fomos serenos num mundo veloz
Nunca entendemos então por que nós
Só mais ou menos

domingo, 30 de agosto de 2015

Meu Amor

Por Luciana Alves*

Tu és melhor parte de mim
Sol radiante que ilumina meus dias
Perfume de melhor essência
Brisa da manha

Teu beijo me aquece, fortalece
Nos teus braços me sinto segura
Tua fala é a melhor melodia existente
Canto que me acalma

Jardim florido, coração pulsante
Sentimento avassalador
Como é bom amar
Melhor que amar é ser amado

Noite linda, lua encantadora, estrelas brilhantes
Estar ao seu lado é a mistura mística de encantos
Doce magia, cheia de realizações
Sobrenatural

Quero mais, sempre mais
O eterno, sem olhar o tempo, horas, minutos, segundos
Tudo perfeito, alem da vida
Eternamente

          * Luciana Alves é leitora de "Filhas da Pauta", imensamente apaixonada por um cowboy 
                e colaboradora  do blog neste post.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O Artur!

Artur, cara que conheci e que decididamente tem muito do Artur mais conhecido. Nos dias atuais onde muitos se deixam levar pelo mais fácil ele se destaca. 
Conhecemos tantos "homens" que tem por meta números, ele tem outros objetivos. Sensato, equilibrado, trabalhador decidiu que não teria filhos, não por questões ligadas a sexualidade, Artur não tem esse problema, mas por se conhecer  e saber que não seria um pai que um filho merece!
Numa sociedade como a nossa, onde mutos têm filhos, mas poucos são pais a atitude de Artur é louvável. Todos que o conhecem dão parabéns porque ele sim é um grande homem, pois não se contenta em ser pouco... Ah se todos fossem como ele, capazes de reconhecer suas limitações e ter consciência de sua responsabilidade social, pessoal e emocional ao ter um filho. 
Ser pai não é tarefa de qualquer um, pena que nem todos pensem como ele.

Artur parabéns, você e sua atitude são nobres!


E vocês, o que pensam de Artur? 


E se o Artur não for mais o Artur e sim um nome de mulher qualquer? 

Nunca vou conseguir entender porque é tão difícil aceitar que algumas mulheres não querem ter filhos, não por luxo, mas porque saberem que não seriam as mães ideais (não se enganem, amor de menos ou demais estragam tanto quanto). Parem de julgar. Parem dizer às mulher que têm coragem suficiente de dizer que não querem ser mães que toda mulher nasceu pra ser mãe ou  que vão morrer sozinhas ou qualquer outra maldade... Você que faz isso tem consciência que está desejando mal a alguém só porque essa pessoa é diferente de você?

Algumas mulheres não nasceram ou não querem ser mães e ela não devem mudar de opinião sobre algo tão pessoal porque as outras pessoas discordam. 
Mundo, aprenda a respeitar as diferenças. Aprenda a nos respeitar como mulheres e assim Respeitem nossas decisões de vida!

Obrigada! 

Abandonei-me!

À margem de mim mesma é assim que ultimamente ando me sentindo!
Faz tempo que abri mão de coisas que outrora eram mais que importantes, eram essenciais pra mim. Fazia parte de mim ser aventureira, ser despojada, ser humana. Ontem pensei bastante! Até que ponto devemos que abrir mão de nós mesmos, sim porque o que vivemos e gostamos é o que somos, por alguma coisa? Será que vale a pena? Quando vamos aprender, se é que aprendemos, que o tal pote no fim do arco-íris é mito. Na nossa vida, nessa trajetória torta composta de subidas e descidas o importante é não perder o foco. Devemos sim olhar o arco-íris, nos deliciarmos com suas cores e alegrarmos com a sensação boa, maravilhosa, que ele nos remete; devemos até perder alguns minutos percorrendo naquele mundo de cor e sensações, alguns minutos! O grande problema de viver a vida é que gostamos de nos iludir e muitas vezes fazemos da ilusão nosso mundo, sempre achando que um dia ele vai se tornar real, que tolice! Ah, como sou uma tola! 


Definitivamente, ando sentindo uma saudade cortante de mim mesma! E o problema não é que as roupas que têm a forma do meu corpo... Essa fôrma não é desse corpo! Sabe quando você veste 40 e insiste em entrar num modelito 38? É assim que ando me sentindo, sufocada, sem ar! Abandonei-me, mas continuo à margem de mim mesma. Decididamente preciso de uma roupagem nova, mas não qualquer uma, posso correr o risco de novamente entrar num modelito errado um que continue me sufocando ou o pior um grande demais, não me apertaria, de fato, mas poderia me causar constrangimentos maiores. A dosagem tem que ser certa, preciso de algo que coincida com o tamanho da minha alma nova!

(Texto escrito há seis anos atrás, mas existem coisas que nunca deixam de ser atuais, pelo menos não pra mim que continuo a me buscar. Continuo me abandonando e me encontrando constantemente).




quinta-feira, 27 de agosto de 2015

De volta à Era Medieval

Por Amabile Casarin

Ultimamente tenho visto tantos casos de intolerâncias, de todos os tipos, que me pergunto: quando foi que voltamos à Era Medieval e eu não soube?!
Ontem eu li uma matéria sobre uma mulher que divorciou-se do marido infiel após 32 anos de casamento e decidiu que teria 32 aventuras sexuais, uma para cada ano de casamento. (Para quem quiser ler: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/redesocial/2015/08/1671899-relatos-da-bela-senhora-32-amantes-um-para-cada-ano-com-marido-infiel.shtml). As histórias vividas foram parar em um blog e agora viraram livro que será lançado em breve.
Confesso que gostei da coragem dela de se permitir ter novas experiências depois dos 50 anos. Espero ter disposição e coragem para sempre continuar fazendo coisas novas, não apenas sexuais, mas de todos os tipos. Isto nos mantém vivos!
Mas fiquei bem assustada com os comentários dos leitores. Quantas pessoas criticando a atitude dela, inclusive chamando ela de prostituta! Para começar a conversa: prostituição requer pagamento em troca de sexo, o que parece que ela não fez. E outra: mesmo que ela se prostituísse, o que os outros têm a ver com isto?!
Me espanta pessoas se incomodando tanto com a vida e o corpo alheios. Você é cristão e seu vizinho ateu? E daí? Você acredita em Cristo e ele não. Você gosta de sexo casual e sua prima não? Você transa casualmente e ela mantém um relacionamento estável (ou fica sozinha, se preferir). Você é heterossexual e seu colega de trabalho homossexual? Você fica com uma pessoa do sexo oposto e ele com alguém do mesmo sexo!
O que cada um faz da própria vida é problema de cada um. Desde que não cometa nenhum crime ou ofenda alguém, vale tudo, inclusive ser feliz!!!! Vamos sorrir, amar e respeitar mais!!!

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Divagando um amor que já se foi

Por Janete Kozak

Pra você amigo, que hoje me perguntas: você ainda gosta dele?
Eu, triste, pensativa, respondo: sinto saudades!
E me perguntas então, como posso trazer no meu coração esse alguém que me traiu, magoou, feriu. Que no fim me desrespeitou, fugiu.
Afinal, gostas ou não?
Do que hoje vejo a minha frente, não gosto muito, aliás, nem muito nem pouco. Sinto indiferença. 
E uma pena enorme do nós que morreu. No dia em que fracassamos. Em que deixaste tua ânsia carnal te dominar e eu, minha fúria. Ah minha fúria fria e calculista...
Agora te respondo bem certo: mas ele também me amou. Por muito tempo me cuidou, beijou meu corpo em lugares impublicáveis. Tomou-me em seus braços por tantas e tantas vezes... me aqueceu no frio e dividiu comigo nosso humilde ventilador nas noites de verão. Ouviu meus segredos e suportou, nada feliz minhas TPMs.
É amigo, por algum tempo esse traidor me fez feliz.
E eu o amei nos momentos felizes. Ah, como eu o amei!
E na sua fraqueza, quando ele não foi capaz de sustentar seu amor, eu o abandonei.
Amar na felicidade é fácil, é bom, quero ver é amar na dor, na dificuldade, na fraqueza, na infidelidade...
Quando ele não mais me fez feliz, de nada valeram os dias que passamos juntos.
Acho que não aprendi a amar.
E por isso sinto saudades. Saudade desinteressada. Saudade do tempo em que foi bom.

Só saudades, nada mais.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Tempo em que me lembro

Por Tallyta Motta *

Lembro de um tempo em que para acalmar a saudade textos e textos, que pareciam mais uma bíblia, eram criados relatando os medos, angústias, desejos e toda paixão que estávamos vivendo. Nós éramos o que deveria ser a primeira coisa do teu dia.
Lembro de um tempo em que meu mundo, meus sonhos e meus desejos e planos eram você. Tempo em que os dias e noites eram em transa, se amando, vivendo nosso cheiro, na cama, no banho, no carro, na piscina. Tantos lugares, quantos momentos! Nossa!!!!
Lembro de um tempo em que me entreguei a uma paixão ardente, onde consequências não eram questionadas. Nosso cheiro proporcionava orgasmos de montão, o limite não existia, a cama não resistia, e por duas vezes foi consertada, nossos corpos nus aqueciam a piscina fria, as músicas altas mascaravam os ruídos e gemidos atrevidos. Momentos flagrados e depois satirizados, momentos que ajudaram a formar nossa história.
Lembro de um tempo em que a cama era nosso ninho, onde além de nos devorar em fantasias e experimentações também nos acolhia para assistir nossa série favorita, enquanto acabávamos com pratadas de melancia e descansávamos da tentação.
Lembro de um tempo onde os jogos de futebol acabavam sendo curiosidade, para me inteirar da minha nova paixão. Tempo em que só desejava ser a princesa de um homem confusão.
Lembro de um tempo onde tudo desabou, destruindo parte do meu "forte" coração. Mas, de tudo que me lembro, só guardo aqui dentro o que me trouxe desejo e paixão. Ser forte ou ser fraca, tudo o que importa são as coisas boas compartilhadas e desejadas nessas vidas tão opostas. Se feriu, não me importa, pois toda felicidade proporcionada naquele tempo em que me lembro é o que realmente ficou aqui dentro. Lembro de um tempo, e que tempo!
Tempo que se perdeu no próprio tempo, aguardando um fim ou um novo começo. É o tempo em que me lembro.


* Colaboradora e leitora do As filhas da pauta.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Melindrosa

Por Wania Evangelista 

Seja a flor mais bonita. Abra a  janela e  permita que o vento te mostre que o tempo pode tudo curar
Não, não feche tão rápido, dê um lindo sorriso e permita ao sol  teu rosto tocar
Sinta o calor na tua pele, o ardor nos teus lábios e o sol penetrar.

Não, não fuja nem deixe que o calor te assuste ou a sede te cegue
Largue o ego de lado e consinta que o mundo veja o tua
 beleza
Abra os braços pra vida e permita que a luz  venha te iluminar
Tire  a mascara da inveja e mostre ao céu o teu lindo sorriso.

Aceite de braços abertos as sombras da noite e o brilho do luar
Seja feliz com que o tens e aprenda que o outro também tem seu lugar
Não deixe que a chuva aborreça, a lama irrite e estrague a beleza
Liberte-se de todas as armas e permita que o amor ali possa entrar.
Tu és flor, tu és rosa. Só não deixe que os espinhos tomem conta de tudo...permita-se florescer.

Música do dia


Por Amabile Casarin


Dizem que os opostos se atraem. Mas isto só vale para a física mesmo. Quando se trata de pessoas é justamente o contrário. Os opostos até podem atraírem-se, mas não permanecem. Já os semelhantes! Esses, sim, conseguem manter uma relação estável e duradoura. Quando digo isso não estou me referindo a apenas relacionamentos amorosos, mas a todos os tipos de relacionamentos.

"Agora você tem novos amigos
Normal que um dia isso fosse acontecer
Só não me faça te odiar
Não me peça para esquecer
Não espere que eu seja igual a você
Igual a você"



Igual a você - Nenhum de nós


Só porque gosto da música! :D

domingo, 16 de agosto de 2015

Divagando sobre casos de polí-cia (-tica*)

Muitas vezes me percebo perdida em pensamentos que poderiam me levar ao céu. Eu acordo e noto que cada passo é uma distância maior entre a realidade e a vontade. Uma janela que se abre para ouvir o silêncio que ensurdece a alma. Agora, quero que a minha voz seja a tua. Meu ouvido seja a tua porta que grita para o mundo. Os meus olhos que se voltem para enxergar aquilo que a humanidade precisa acreditar. Raras são as vezes que meus dedos transformam o teu desespero em contos de fadas.

Juventude perdida, maioridade roubada, sonhos destruídos, migalhas distribuídas, atenção esquecida. O olhar está atento para ver, observar e discordar daquela realidade que pode ser alterada numa espécie de contagem regressiva. Regresso é o que tento fazer para te encontrar em detalhes mais realísticos, colocando os meus olhos em cima daquilo que todos juram ser real sem nem ao menos ter ouvido falar. No seu caminho, tem pedras, espinhos e rosas. A cada passo que dou, as nossas estradas se cruzam. Lentamente, ouço a história. Igualmente, reproduzo em detalhes. São palavras que contam a experiência de quem já viveu ou viu a morte de perto. Mesmo cheias de vida, ou de cheias de morte. O que importa é relatar, sem exagerar.

Se o caminho é pedregoso, um pouco de doçura para aliviar. Agora se já é doce, fique a vontade para divagar. Beije a fonte que te alimenta a alma, alivia o coração e lava os teus olhos. Esta é apenas uma declaração... Rindo, posso tripudiar do quão desesperado agora você está. O teu caminho começa a se fechar. Velha conduta que tiveste, travestido de anjo que libertou uma nação. Era na verdade, a primeira letra da ruína. Resta, agradecer.

*Teu fim está próximo. Posso comemorar. Justiça será feita? Não sei. Sei que ser jornalista é fazer a minha parte no processo de um todo em que uma comunidade grita para ser ouvida. Se tu usas o assessor para calar, quero ver agora, usá-lo para te salvar. Ainda queres ser o primeiro? Não terás tempo. Aqui, tu não fostes o primeiro, mas poderás ser o último. Afinal, dizem que os últimos serão os primeiros, logo, o contrário seria válido?

Que todos os desmando e coronelismo de pequenas prefeituras não sejam vitalícios; que a PF, e os MPs possam ver os disfarces de quem tenta atribuir exemplo de péssimas condutas. Que todo o mal seja banido. Era só isso!

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Amor, I Love You




Por Josi Gonçalves*

Era Dia das Mães. A filha lhe deu uma toalha de banho de presente. Daquelas bem gigantes que dão pra enxugar a família inteira. A garota, de 15 anos, a viu numa loja e a achou a cara da mãe: alegre, colorida, aconchegante. Decidiu comprá-la. Era a primeira vez que recebia um salário. Trabalhava numa loja como vendedora. 

A mãe ficou feliz com o mimo. Era o primeiro presente que ganhava da filha. 

Meio sem jeito, a filha entrega o pacote pra mãe e diz: 

  • Espero que a senhora goste.

Não rola abraço, beijo e coisa e tals. 

A mãe rasga o pacote,  abre um sorriso de canto a canto, mas… Ela queria mais. Pediu um beijo. A filha não deu. E a mulher chorou copiosamente. 

A filha, sentindo um misto de culpa e constrangimento tascou, na bucha: 

  • Mãe, a senhora não pode me cobrar o que nunca me deu. 

Fez-se um silêncio sepulcral. Acho que  a mulher parou pra pensar no que acabara de ouvir e olhou com pesar para a filha.

A verdade dói.

Ela nunca mais pediu um beijo para a filha que 27 anos anos depois ainda lembra daquele fatídico dia. 

Ainda hoje quando vê sua mãezinha dormindo pensa na vida difícil que ela teve: na perda precoce da mãe, no sofrimento imposto pela madrastra, na falta de amor suportada ao limite da sanidade. 

Percebe que seria mesmo muito difícil aquela mulher, que teve uma vida tão dura e difícil, beijar e acarinhar os filhos.

Lembra da paciência dela em fazer cachos nos seus cabelos depois do banho. Associa aquilo ao amor entalado na garganta e preso no peito durante décadas.

A filha dá graças a Deus por conseguir externar seu amor pelos dois filhos, abraçá-los, dizer exaustivamente que os ama. 

Mas porque, diacho, será tão difícil, vendo a mãe, agora com os cabelos branquinhos, dormindo ali tão indefesa, tão doce, tão cansada, abraçá-la, sem gesso nas atitudes, e dizer:


Amor, I love You?

Josi Gonçalves é jornalista, casada com Francisco Costa, também jornalista (e dos bons), mãe de um nerd chato pra burro chamado Ângelo e do pequeno Davi - que veio ao mundo para a mãe exercitar a arte da paciência - e Filha da Pauta. 

Não deveria ser bom?


Para uns ele é o centro da vida, para outros uma parte. Parte importante,  faz parte, mas não é o todo. Existem aqueles que acreditam ainda que ele só é verdadeiro se a atenção for constante;
A dedicação  completa;
A entrega absoluta e integral.
Mas como dar aquilo que não se tem? Como negar aquilo, que é como o sangue que corre nas suas veias, como deixar de ser quem você realmente é ?
Não deveria ser compreensivo e paciente?
Leve, gostoso e doce.
Simples e sereno ... poderia trazer a paz.

Aceitar e ser aceito. compreender e ser compreendido,  poderia ser permitido ser quem você realmente é,  e isso deveria bastar... Mas não! Nós, não somos tão simples e esperar toda essa simplicidade  é  desconhecer a complexidade do ser que é egoísta e  compreensivo,  explosivo e tranquilo, exigente e complacente. Que ama e odeia ao mesmo tempo, que é capaz de perdoar o imperdoável e odiar um gesto de amor mal compreendido. Que transforma o ódio em amor e o amor em ódio em questão de segundos. E que procura e exige do outro aquilo que  ele mesmo não pode dar. Que julga, condena e absorve sem justiça. Que se coloca acima do tudo e todos e aponta o dedo sem olhar pra trás. E que espera que o amor, ou amar resolva todos os seus problemas. Mas esquece que o amor após se encontrado precisa ser vivenciado.

Você está preparado para suportar tudo o que vem com o amor?

Está pronto pra enfrentar a realidade, o convívio e o dia - a -dia ?

Cuidado! Deus pode te dar tudo o que você pediu e devolver dá um trabalho...

"Uma pena que nos contos de fada ninguém nos conte o que aconteceu depois do beijo,  como foi casar, ter filhos, ou explique o felizes para sempre. Será que a Cinderela, a Rapunzel e Branca de neve sabiam onde estavam se metendo?"

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Um real de amor!

A vivencia do amor e suas complexidades. Em se tratando amor e amar não existem regras. Não existem imposições, existe vivência. Andei observando alguns casais e fiquei impressionada com a passividade e humildade de alguns amores. 

Aquele amor que aceita as migalhas da atenção, porque essa migalha é o combustível do dia. Aceita sobras de conversas, porque nesse momento seu peso cede e você pode se entregar mesmo que o se entregar seja com os dois pés no chão, porque do contrário você cai. Mas como com os dois pés no chão se o chão dessa pessoa é o outro? 

O amor onde o outro é seu tudo e você se contenta em ser o que der. Se no dia não tiver opção melhor você ganha um carinho ou atenção a mais, mas se for dia de coisa importante (por exemplo, futebol) aí não sobra nada, mas a presença de um amor ausente já basta! Olhar de longe aquele amor distante faz com que seus olhos brilhem e sua alma reluza. 

Como pode tão pouco preencher um coração tão grande? Acho que deve guardar cada pouquinho que recebe e assim se mantém viva! 

Não que eu ache que o amor tem que ser assim ou assado, mas admiro quem vive assim... Pensando bem,  não admiro não! 
E quem tem tão pouco pra oferecer, será que tem consciência da sua mediocridade? Triste, amor medíocre, o tipo mais terrível de amar!

Analisando de forma mais crítica, tenho mais pena desses amores porque esse amor em demasia, que é capaz de sobreviver com tão pouco quase sempre, é falta de amor próprio. Migalhas não sustentam!

Quem AMA nunca tem tão pouco a oferecer e no solo de um coração de quem SE AMA de verdade, gotas de carinho não faz florescer nada!

Texto e foto: Deda Deambrósio

Um Real De Amor
Zeca Baleiro

Com um real de amor que tu me dás
Faço versos de febre e de paixão
Pego a fraca miragem da ilusão
E a transformo em ferro e em carvão

Com um real de amor que tu me dás
Faço a flor na mais completa escuridão
Desafio o terror da solidão
E a transformo em pó na multidão

O real de amor que tu me dás
Generoso se faz em minha mão
Mata a minha fome
E multiplica o pão

Siga...

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos" (Fernando Pessoa) 



Foto: Deda Deambrósio

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Sinto Muito, Madalena


A cidade anoiteceu , amanheceu e anoiteceu de novo cheirando à morte.
Eram muitos, mas somente quatro se foram: Os filhos de Madalena.
Os sentimentos se misturam num mix de curiosidade, abalo, surpresa e pena...
Sinto muito, Madalena. Sinto por seus filhos mortos, levados pela água tão refrescante, que logo se fez traiçoeira.
Sinto muito pelos anos que não os terá. Sinto muito por cada aniversário que lembrarás, por cada Natal que lamentarás não ter seus filhos à mesa.
Sinto pelos diplomas que esperavas, pelos netos que sonhavas, pelas noites que desde já te preparavas para os puxões de orelha pelo adiantado da hora que eles chegariam dos encontros com os amigos, com os amores.
Sinto muito por suas lágrimas, pelo seu desespero. Acredite Madalena, tantos outros também o sentem. Impossível não se abalar. Sua dor é coletiva, é contagiosa, é comovente. Sua dor é espelhada no olhar de cada mãe, de cada pai que se vê desesperado apenas na iminência de um dia obrigar-se a estar nesse lugar que hoje é seu
E sinto muito mais. Sinto pela impotência de nada poder fazer, além de sentir muito. Abraços, companhia, orações, nada disso tirará sua dor que também é minha, é nossa. Queríamos amenizar essa dor, mesmo que pra isso tivéssemos que lhe emprestar nossos filhos ou apagar de suas lembranças os momentos de angústia à beira daquele rio.
Inconsolável Madalena, acredite: Deus ainda te dará muitas alegrias, pra compensar tanta dor. Mas terás que aprender a senti-las uma a uma. O choro dura uma noite, uma temporada ou uma vida toda. É preciso sabedoria para conseguir sentir a alegria que vem com o amanhecer

  


domingo, 9 de agosto de 2015

Num dia difícil...

Eu vou pra minha varanda e vejo isso! A natureza tem o poder de apagar, nem que seja por alguns minutos, nossos problemas e alegra nossa alma. Num dia difícil ver isso faz com que eu me sinta especial!

Para os Pais, parabéns pelo seu dia!


Foto sem edições!
(Deda)

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

E o Troféu de Pai vai para ...

Chegaram hoje alguns convites para as festividades do dia dos pais. Tem cinema, tem concurso: concurso de frases, concurso de selfies, concurso disso, concurso daquilo. O dia é dos pais. A homenagem é para os pais.
Com direito a troféu!
O que faz com o troféu a mulher que passou o ano todo tentando suprir no filho, a falta do pai?
 Não a mãe viúva, aquela que o pai foi morar junto de Deus, cuidando lá de cima do filho querido. A mãe-alvo desse texto é viúva de marido vivo. De filho criado na ausência do pai.
Aquela mãe que não sabe o que fazer com o convite da escola que seu filho lhe entrega para participar das festividades do dia dos pais. Ela sabe onde o pai mora, mas ele não quer receber sua visita, nem mesmo pra um convite. Seria perturbar seu sossego.
Aquela mãe que por dias, meses, anos, espera que o homem a quem ela um dia se entregou venha demonstrar seu amor de pai ao filho que na ocasião geraram. Mas esse amor não existe, ou está escondido em um local tão secreto, que nem mesmo o pequeno filho tem acesso.
Aquela mãe que passa pelo vexame de expor-se ao um teste de paternidade, apesar da certeza da fidelidade, afinal seu ex-amado só “assume” a criança com a certeza dos 99,9% do DNA.
Aquela mãe que ensinou seu filho a dizer “papai” mostrando-lhe a foto de um homem ausente, que por motivos tão seus, não acompanha o desenvolvimento do filho. Que por míseras e pouquíssimas vezes deu a essa criança a oportunidade de chamar-lhe de pai.
Aquela mãe que ainda acredita que um dia ele cumpra a promessa de levá-lo pra um fim de semana no clube. Que prepara a mochila do filho e vai ao portão numa espera que nunca tem fim. Ele não virá. Tem outros compromissos.
Aquela mãe que faz milagres com o dinheiro minguado do fim do mês, repassado orgulhosamente pelo genitor, com a melhor sensação do mundo do dever cumprido, mas que não chegará sequer ao meio do mês. Vai faltar. De novo. Não vai dar pra comprar aquela calça nova tão cobiçada pelo garoto.
A você mãe solteira, mãe sozinha, mãe que nunca será pai, mas que tenta, de todas as formas, disfarçar essa ausência, sofrendo calada, pra não fazer o filho sofrer, que controla sua raiva para não repassá-la ao filho. Acredite, você merece um feliz dia dos pais.
E um Feliz dia dos pais a você pai, que por mais motivos que tenha, sejam eles quais forem, judiciais ou extrajudiciais, ainda luta pelo amor presente e pela formação participativa de seus filhos.


O troféu é de vocês. Verdadeiros heróis da resistência.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Poesia da negação

Você me pergunta o porquê e eu não sei responder.
Amor é uma coisa muito louca.
Igual a nada que se pode mensurar.

Te conheci num dia de muita brisa.
Os olhos da cor do mar me encantaram.
Meus lábios te tocaram.
Amor, você disse baixinho.
Ri. Apenas isso. E o tempo passou...

Não acreditei quando disseste o triste adeus.
O teu olhar era tão mentiroso. E o meu mundo ruiu.

Coragem para continuar a sorrir.
Um dia sei que vou encontrar.

Beijos, olhares, sorrisos.
Está tudo distante.
Sei que não acredita.
Tenho que continuar.
Agora: é apenas NÃO! NÃO! NÃO!

FIM

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Aquele oi foi pra mim?

Tem dias que vocês sabem, são uma loucura. Não loucura de coisas boas e sim de estresse e dor de cabeça. Aqueles dias em que sua mente, involuntariamente, foca 100% nas coisas ruins. Num desses dias de cão pra ajudar tive que resolver uns problemas no banco (se estava faltando uma dose de chatice, agora meu dia ruim estava completo). Chego apressada, pensando na fila gigantesca, no atendente mal humorado todo monossilábico que parece estar num dia pior que o meu e na conta estourada... ainda no automático entro na agencia e ouço um “oi”, mas nem dei bola, precisava matar meu primeiro leão do dia. Termino e vou atrás das outras complicações e ao sair da agência, pra minha surpresa, eu que não acreditava em contos de fadas me deparo com um verdadeiro príncipe... Príncipe não. Estava mais pra um deus grego. Lindo, absolutamente lindo, alto, barba por fazer... Ele se vira, olha na minha direção e sorri, desmontei! Sorriso lindo e perfeito! Ele era PERFEITO!

Isso foi há 8 anos atrás e até hoje eu sonho, será que “Aquele oi foi pra mim?”.


Todos temos dias ruins, mas não deixe que isso influencie as coisas boas que podem acontecer com você. Saia do automático. Não seja pessimista e viva a vida. Quem sabe quantos “ois” você ainda pode ganhar!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Clico aqui, clico acolá ... vamos lá?

Por Wania Evangelista

Ai que saudade daquele tempo que eu podia acreditar;
Acreditar em tudo o que o Cid Moreira dizia, em tudo que aquela revista escrevia; Ai que saudade de um tempo que a verdade era só a verdade e era fácil de encontrar. Naquele tempo eu sabia o que acontecia ou entendia  onde era o meu lugar. Mas eu?!  Era escravo e nem sequer sabia.
E hoje?!
Há, nesse novo tempo sou livre e minha liberdade quero usar, tirei as amarras e ao mundo quero minhas verdades gritar;
Peraí , mas nunca aprendi a pensar...  e agora?
Agora vamos compartilhar!!!
Clico aqui, clico acolá ... vamos lá?