sábado, 30 de abril de 2016

Ao coração chorão



Agora tudo começa a ficar mais próximo:
O dia da partida
A hora da chegada
A lágrima do olhar
As despedidas
O novo
Recomeçar como? se ainda nem cheguei ao fim?
Ah coração dividido e vagabundo. Não aprendeu  dizer adeus?
Pois eis que finda o tempo do exílio. É hora certa de ir pra casa. Fazer nova casa. 

Cuidar do que é meu. Curtir de pertinho quem inda por aqui está. Amor incondicional, porém atento. Aprende coração, que não tens como perder aquilo que nunca foi seu.
E o que é seu vais levar, sempre, onde quer que vás.

Amor é amor, independe da distância, do tempo e da correspondência. Sim coração egoísta, amor não correspondido é amor também. Embora teimas em gritar aqui dentro querendo retribuição, aprendas de vez: fostes feito de sangue quente e músculos flexíveis. Porque se fostes de pedra já terias sucumbido há muito às marretadas que tanto levas.
Aprende também coração, que por seres feito flexível, o pior sempre está por vir. Ainda tem mais gente pra botar aí dentro. Vá se acostumando. Quem mandou morar em habitação cigana?
Porque levanto acampamento e vou-me. E tu vais comigo. Sangrando sempre. A buscar novos caminhos em terras que não escolhestes.
Aguenta coração!!!

terça-feira, 19 de abril de 2016

Simplesmente Mariana

É engraçado com a vida vai delineando os traços fortes e apagando os fracos. Lições que não podemos reviver. Incrivelmente, tudo vai ser construindo e nada é perene. Algumas imagens, cenas da nossa vida vão se esvaindo como se nunca tivessem existido.

Numa viagem dentro minhas memórias, eis que encontrei uma amiga que há tempos não via. Uma menina alegre, sorridente, cheia de vida. E sem motivo. Ela é Mariana. Simplesmente Mariana.

Ficamos um tempo conversando. Nem percebi a hora passar. Mas, me dei conta que Mariana não é a mesma. Esse tempo em que ficamos distantes, foram muitos acontecimentos que tiraram o brilho de Mariana. Aquele sorriso fácil, agora é difícil ser visto. Aquela vivacidade parece estar submersa em ceticismo. Fiquei me questionando o porquê dessa abdicação em prol de algo que nem ela mesma sabe o que é. 

Lembro-me que Mariana gostava da vida. Agora ela foge. A alegria está disfarçada no rosto tímido e cheio de marcas de coisas pelas quais passou e somente ela pode dizer. A vida que pretendia, Mariana não teve. Perdeu a inocência e sem nem ao menos saber que era inocente. Desfez-se da vida sem saber.

Muitos anos depois, tenta reencontrar. Mas fantasmas ainda a atormentam e não gosta de falar. Sorri ainda, para mostrar que é inabalável. É forte, mas sobre um terreno arenoso. É sagaz, mas em meio a leões. 

Observando Mariana percebo que ainda pode ser resgatada. Mas precisa ter coragem. Mas o contorno da coragem não tem um traço forte.