sexta-feira, 31 de julho de 2015

Aquele oi foi pra mim?

Tem dias que vocês sabem, são uma loucura. Não loucura de coisas boas e sim de estresse e dor de cabeça. Aqueles dias em que sua mente, involuntariamente, foca 100% nas coisas ruins. Num desses dias de cão pra ajudar tive que resolver uns problemas no banco (se estava faltando uma dose de chatice, agora meu dia ruim estava completo). Chego apressada, pensando na fila gigantesca, no atendente mal humorado todo monossilábico que parece estar num dia pior que o meu e na conta estourada... ainda no automático entro na agencia e ouço um “oi”, mas nem dei bola, precisava matar meu primeiro leão do dia. Termino e vou atrás das outras complicações e ao sair da agência, pra minha surpresa, eu que não acreditava em contos de fadas me deparo com um verdadeiro príncipe... Príncipe não. Estava mais pra um deus grego. Lindo, absolutamente lindo, alto, barba por fazer... Ele se vira, olha na minha direção e sorri, desmontei! Sorriso lindo e perfeito! Ele era PERFEITO!

Isso foi há 8 anos atrás e até hoje eu sonho, será que “Aquele oi foi pra mim?”.


Todos temos dias ruins, mas não deixe que isso influencie as coisas boas que podem acontecer com você. Saia do automático. Não seja pessimista e viva a vida. Quem sabe quantos “ois” você ainda pode ganhar!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Clico aqui, clico acolá ... vamos lá?

Por Wania Evangelista

Ai que saudade daquele tempo que eu podia acreditar;
Acreditar em tudo o que o Cid Moreira dizia, em tudo que aquela revista escrevia; Ai que saudade de um tempo que a verdade era só a verdade e era fácil de encontrar. Naquele tempo eu sabia o que acontecia ou entendia  onde era o meu lugar. Mas eu?!  Era escravo e nem sequer sabia.
E hoje?!
Há, nesse novo tempo sou livre e minha liberdade quero usar, tirei as amarras e ao mundo quero minhas verdades gritar;
Peraí , mas nunca aprendi a pensar...  e agora?
Agora vamos compartilhar!!!
Clico aqui, clico acolá ... vamos lá?

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Será que ele lembra?

Por Amabile Casarin


Será que ele se lembra dos momentos de prazer? Será que ele lembra das declarações que fez? Será que ele lembra dos planos dos dois, mudança de cidade, casamento, filhos? Será que ele lembra das declarações dela? E das declarações veladas, aquelas que em que não ouvimos/lemos "eu te amo", mas o cuidado demonstra isto? Será que ele lembra?
Será que ele lembra de todos os cuidados que teve com ela que fizeram os olhos delas brilharem com a certeza de que tinha encontrado o homem da sua vida? Será que ele lembra das ações de cuidado e atenção que ela fez para ele?
Será que ele lembra das noites de amor? E das noites de sexo? E das coisas que conversaram na cama? E dos elogios? De ser acordado com um beijo? Será?
Será que ele lembra do sabor dos beijos dela? Do sorriso? Do sabor da comida que ela fez? Dos vinhos? Dos passeios? Dos filmes? Das brincadeiras? Das trapalhadas dela? E do apoio as suas decisões, será que ele lembra?
Será que uma distração ou uma frase mal dita tem mais peso que todos os beijos? Que todas as conversas amorosas pelo telefone? Que todo o carinho dado? Que todo o carinho recebido?
Eu lembro-me de alguns erros, de alguns acertos, de gestos, de planos, de desejos, de coisas feitas, de ter vontade de fazer algumas outras coisas com ele... e ele será que lembra? Enfim, será que ele lembra que foi feito para ela?!


"Então eu já não sei
Mentiras e verdades
Solidão, eu já errei
Mas você está em toda parte

Que sorte eu te encontrei
Saiba que eu te amo tanto
Tantas coisas e eu demorei
Para entender, te ver e saber
Que só você é assim
Feito pra mim"

(Feito pra mim - Ana Cañas) *

*Só para constar: adoro Ana Cañas há muito tempo.

terça-feira, 28 de julho de 2015

O que está acontecendo?



Engraçado com algumas coisinhas desenterram grandes emoções na gente. Hoje uma dessas conversas banais desenterrou em mim um dos momentos mais singelos e gotosos que já senti. Como esquecer, eu menina moleca que vivia pelas ruas correndo descalça fui parada por um vidro imaginário chamado amor (brega, mas amar hoje em dia é brega, imagine isso aos 12 anos!). 

Aquele menino moreno, cabelo liso escorrido caindo levemente sobre a testa fez minhas pernas pararem e meu coração disparar! Foi uma sensação única. Faltou ar, as pernas não me obedeciam. Uma mistura tão grande de sensações (alegria e desespero principalmente). A alegria era involuntária, olhar pra ele fez meu coração feliz e desespero porque eu não sabia como lidar com aquilo. Desespero maior foi tentar descobrir o nome do meu amado. Consegui. Nome, sobrenome e endereço. 

Ao som de 4 Non Blondes eu sonhava, sonhava. As poucas vezes que conseguia me encontrar com ele eram terríveis, pois eu sempre ficava paralisada, presa no tal vidro imaginário (aquele mesmo que me parou da outra vez). 

Rafael, ah Rafael! O menino que mudou meu coração mostrando o que era o amor e o que era sofrer. Rafael, o menino que me ensinou que existem meninos também gostam de meninos!





P.S "O que está acontecendo" não refere-se ao fato de Rafael gostar de meninos. É um trecho traduzido da musica do video (what's going on?) que casou-se perfeitamente com meus sentimentos à época. E não que alguém vá se interessar por isso, mas esta música foi a musica que embalou o meu amor e o meu sofrer. Foi durante anos seguidos "minha musica"!

O tempo não pára...

O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...

Mário Quintana


segunda-feira, 27 de julho de 2015

O último cheiro de Maria




Por Josi Gonçalves *

Senhora vamos descendo da cama (era uma maca, não era um leito) que tem outro pior que a senhora pra ocupar o seu lugar. 

A frase em tom seco, ríspido e desumano foi dita por uma enfermeira em uma sala improvisada para atender pacientes em risco em uma unidade de saúde qualquer deste país de “todos e de todas”. 

A mulher na maca fria e impessoal era uma senhora de 73 anos que quatro horas atrás estivera entre vida e a morte. 

Resistiu à morte. Ganhou a batalha. Não sem antes ouvir os gritos aturdidos de uma filha que acabara de perder a mãe. Por sinal, a cena em que a mulher passou aos prantos pelos corredores carregando os pertences da mãe, que jazia fria sobre uma mesa do necrotério, jamais seria esquecida por quem a presenciou. 

Minto. A enfermeira que deu a notícia à médica de plantão e a própria médica nem se lembrariam ao final do trabalho que tiveram uma “baixa”. Pra elas, a morte da senhorinha era mais um número. Estatística. Apenas isso. 

Mas a maioria ali vai lembrar do ventilador que a filha carregava nos braços e do lençol que continha o último cheiro de Maria. Nem sei como ela se chamava. Mas seu João, dona Maria e seu Zé, são nomes que se dão a desconhecidos, a quem a gente nunca viu na vida, mas com quem a gente se identifica.

Todos sofremos na pele as intempéries e injustiças desse mundo cão. No final, viramos apenas cheiro, depois só lembranças, até nos unirmos ao solo e virarmos apenas pó. Do pó viestes ao pó voltarás. Ninguém é pra sempre. Nada é pra sempre. Nem dona Maria, nem a filha dela, nem a enfermeira e a médica do hospital.

Josi Gonçalves é jornalista, casada com Francisco Costa, também jornalista (e dos bons), mãe de um nerd chato pra burro chamado Ângelo e do pequeno Davi - que veio ao mundo para a mãe exercitar a arte da paciência - e Filha da Pauta. 

sábado, 25 de julho de 2015

JOSÉ, O FILHO DE MARIA





Por Josi Gonçalves*

Ele era mais um José como tantos outros na vida. Aliás, foi batizado com o mesmo nome de outros dois irmãos de uma pobre família paraibana: José Gonçalves da Silva. Se não teve direito a exclusividade no nome que o acompanharia pro resto da vida, muito menos teve a chance de ter o pai presente: Antônio Gonçalves da Silva, seu genitor, morreu precocemente aos 33 anos de idade - vítima de um infarto –– quando José, que ganhara o apelido de Dedé, tinha tenros três anos de vida. Sem a proteção masculina do pai, a vida do garoto já não seria tão leve.

Não foi fácil para o pequenino paraibano, nascido na cidade de Sapé, suportar as agruras do trabalho infantil na roça junto com os irmãos e a mãe, Maria. Mas ele era arrojado. Tanto que, anos depois, deixaria o sertão nordestino para trabalhar no Rio de Janeiro. Tempos após chegar à capital carioca, Dedé perceberia que não conseguiria viver longe de suas raízes e resolveu retornar para o seu nordeste.

Em solo nordestino se apaixonou perdidamente por uma cearense dona de um belíssimo par de olhos verdes. Foi amor à primeira vista, daqueles de arrepiar a alma e marcar o coração pro resto da vida. Aos 19 anos casava com dona Gercina Gercino de Lima, que passaria a se chamar Gercina Lima da Silva. Como se vê, em uma coisa os dois combinavam: os pais de Gercina também não eram lá muito criativos com nomes próprios. Mas Dedé emprestaria o seu Silva à mulher e harmonizaria o sobrenome da esposa.

Os dois tiveram cinco filhos: Gilberto, Josélia, Gilvan, Gilson e Josineide. Moraram em Natal, RN, São José do Mipibú, também RN e Itambé, BA, e, por último, há 40 anos, aportaram em São Gonçalo do Amarante, RN. José, que nessa época já se chamava Seu Dedé, havia se tornado um marceneiro por excelência. Pioneiro, ele montou na brejeira cidade potiguar uma pequena serraria. Dali ele tiraria o sustento da sua família e ensinaria o mesmo ofício aos filhos homens.

Com a marcenaria, Seu Dedé fez história em São Gonçalo. Quem comprou uma cama feita por ele há quatro décadas ainda a tem até hoje! Meticuloso e muito habilidoso, ele passava horas se dedicando a fazer o que mais gostava: móveis e a ensinar a prole masculina a trabalhar com a madeira. Junto com os filhos mais velhos, Gilberto e Gilvan, em poucos anos se tornariam os maiores fabricantes de móveis de toda região.

Mas a vida não era só trabalho. Seu Dedé tinha um hobby regular: ele adorava pescar! Nos fins de semana pegava a sua varinha de pesca, a isca e uma sacola com comida e se embrenhava mato adentro. Saía de manhã e só voltava à noite. Muitas vezes retornava com dois ou três peixinhos mixurucas, que mal davam pra fazer um ensopado, mas com uma expressão tão leve no rosto que a quantidade do que pescara era o que menos importava.

Ele levava uma rotina simples. Vivia de casa pro trabalho e de casa pro rio Potengi. Era um homem de hábitos solitários. Ninguém o via em lugares públicos ou barzinhos. Assim como grande parte dos brasileiros, adorava uma cervejinha, mas trazia pra beber em casa. E como ele ficava lépido e fagueiro quando tomava “umas e outras”, se tornava divertido e até se aventurava a contar causos e piadas!

Seu Dedé só se excedia em duas coisas: no ciúme exagerado da sua Gercina, a quem amava mais que a própria vida, e no cigarro. Aliás, ele começou a fumar aos 13 anos de idade. E foi justamente o cigarro o responsável por um câncer no pulmão de seu Dedé. Durante dois anos ele lutou contra a doença. Foi um guerreiro. Enfrentou inúmeras sessões de quimioterapia e radioterapia. Mas a doença não dava tréguas e migraria para o cérebro e a garganta.

Mas seu Dedé não queria perder essa batalha não, gente! Fincou o pé no chão, fez planos de viajar para o Norte do País onde passaria uma temporada com a filha e até comprou malas para a viagem que não chegaria a fazer. Em 16 de novembro de 2010, já internado em razão do câncer terminal, Dedé partiria para o outro plano sem alarde. Da mesma forma como passou pela vida: de forma discreta e silenciosa. Deixou quatro filhos –perdera um há 14 anos – e a esposa com quem viveu por quase cinco décadas.

Como legado, deixou o ofício para filhos e netos e uma reputação ancorada em valores morais e éticos. Ensinou que é com trabalho que se alcança metas, que é com honradez que se conquista espaço no mercado e que é com princípios que se cria filhos, como ele dizia, “para o mundo”. Era, de fato, um homem sábio.

Na verdade, seu Dedé mal sabia assinar o próprio nome, mas tinha em abundância a experiência de uma vida que começou impiedosa lá no sertão paraibano e que se tornou mais amena justamente em São Gonçalo do Amarante, onde teve a oportunidade de mostrar que não era apenas um José, filho de mais uma Maria. Ele era José Gonçalves da Silva, um homem que media apenas um metro e meio de altura e que pela história de vida e contribuição na sociedade onde viveu, ficou eternizado na memória de quem conviveu com ele. Tanto, que virou nome de rua.

MEU PAI

Só quem é nordestino sabe como é gostoso um feijão verde com farinha, manteiga de garrafa e carne de sol. E se esse prazer culinário fosse degustado à moda do meu pai, era melhor ainda! Lembro dele sentado à mesa dispensando o uso de talheres quando o cardápio do dia era esse. Ele amassava o feijão e a farinha com as mãos calejadas pelo trabalho, fazia pequenos bolinhos e comia com uma satisfação tão imensa que até dava fome em quem estava por perto. Comia calado, sem muita conversa na hora da refeição. Dizia que aquele era um momento sagrado e que era um acinte a Deus, bater papo à mesa. E todo mundo respeitava. Era um homem rígido.

Mas comigo a rigidez sempre foi menor. Como eu era a caçula, tinha lá certos privilégios e uma dose extra de tolerância. Lembro de uma ocasião em que ele comprou dois lápis: um pra mim e outro pra ele. Pediu pra eu escolher com qual queria ficar. Primeiro eu quis um, depois o outro, para logo em seguida querer o que havia escolhido antes. Fiquei nesse lenga lenga até que ele decidiu: Pronto! Esse é o seu e esse aqui é o meu. Fiquei possessa! Tomei os dois lápis da sua mão, os quebrei e disse: o senhor não vai ficar com nenhum!

Eu devia ter levado umas boas palmadas, mas ele fez diferente: me olhou com cara de tristeza e desgosto e me fez sentir a última das criaturas. Eu devia ter uns sete anos de idade, mas nunca mais esqueci aquela expressão. Olha só! Seu Dedé sabia usar a psicologia e naquele dia aprendi mais uma lição: a de que a gente deve ter ambição na medida certa, querer apenas o que é nosso e não desperdiçar uma oportunidade. Por sinal, nunca mais ele me daria lápis.

Mas, era na culinária (sempre ela) que meu pai encontrava suporte para demonstrar seu amor por mim. E eu adorava! Aos domingos, quando ia à feira pública ele sempre trazia seriguela, banana leite, jabuticaba e goiaba, minhas frutas prediletas. Ah! E trazia grude também (potiguar que se preze sabe o que é grude). Ele nunca soube dizer EU TE AMO, mas não precisava. Eu sabia que era amada. Afinal, como é que um homem, que perdeu a infância tão cedo, poderia agir diferente?

As lembranças dele sempre me povoam a mente. Afinal, meu velho sempre marcou presença na minha vida, de uma forma ou de outra. Mesmo sendo praticamente analfabeto, ele fez o que muitos pais não fazem hoje: sentava comigo pra me ensinar a somar, dividir e multiplicar.  E olha que ele era ótimo em matemática!

Hoje, dois anos depois de sua morte, lembro de quando estive com ele dias antes de sua partida. Pensei com meus botões ao vê-lo prostrado na cama respirando com dificuldade: Caramba! Ele vai embora mesmo e eu sei tão pouco sobre ele, tanta coisa que nunca conversamos, que nunca dividimos, que nunca confidenciamos... Mas, infelizmente era chegada a minha hora de vir pra Rondônia – havia ido só pra dar adeus ao meu velho. Saí de mansinho, pra não acordá-lo. E eis que ouço uma vozinha fraca e débil me chamar:

- Josineide...
- Sim, meu pai...
- Me espere lá em Rondônia, viu?

Saí de lá em frangalhos. Ele morreria uma semana depois e essa era a última lição que ele me dava: Nunca, mas nunca mesmo, desista dos sonhos. O seu era viver comigo em Rondônia e, de certa forma, ele vive. Vive nos meus pensamentos, nos meus sonhos e na placa da cidade que o acolheu e a toda à família Gonçalves.
(Esse texto foi publicado pela primeira vez em 2012)

Josi Gonçalves é jornalista, casada com Francisco Costa, também jornalista (e dos bons), mãe de um nerd chato pra burro chamado Ângelo e do pequeno Davi - que veio ao mundo para a mãe exercitar a arte da paciência - e Filha da Pauta. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

E você, qual o seu lugar?


A Terra é um pequeno planeta, redondo que gira em torno do sol, assim sendo seu centro pode ser em qualquer lugar... mas, andei observando algumas pessoas e seus comportamentos e me descobri numa grande dúvida... algumas pessoas ou acreditam que o mundo gira em torno delas, ou pensam elas serem o centro da Terra. 

Vou explicar melhor. 

Sabe essas frases batidas e que todo, absolutamente, todo mundo já ouviu sobre “a inveja”, ou “cuidam mais da minha vida que da própria”, ou mesmo insinuações que remetem às pessoas acreditarem que quem escreve ou fala seja “REFERÊNCIA”, são típicas de pessoas “centro”. As pessoas “centro” pensam que absolutamente tudo que acontece tem alguma ligação com elas. Normalmente creem que são padrão de comportamento e que suas opiniões deveriam servir de normas universais... Sim, porque essas pessoas, volta e meia, emitem suas opiniões como fonte de referência e padrão, só falta o selo do INMETRO juntamente com alguns ISOs.


"E os egocêntricos são verdadeiros manipuladores na arte de ouvir apenas o que lhes convém, de evitar qualquer conversa que os leve a sair de si e a partilhar sentimentos alheios" (Cláudia Freitas).   

Inveja é uma palavra que deriva do latim "invidere" que significa "não ver"; a psicologia afirma que este é um sentimento dos mais “fracos” contra os mais “fortes”. Mas, se andamos observando quem nos observa é porque compartilhamos da mesma fraqueza e o pior, estamos olhando as pessoas como se fossemos, por algum motivo, melhores quando na verdade somos apenas diferentes!

Viva sua vida! Viva e conviva com os iguais e desiguais; invejosos e desejosos; pessoas “centros” e reles mortais! Aliás, (como eu confidenciei à Amabile outro dia, amo essa palavra, não há um post seque que não a use, “aliás” aqui, “aliás” ali....) pra quem acredita que é o centro das nossas atenções... OH meu bem, menos! Beeem menos! Coisa mais linda não é olhar de cima pra baixo e ou de baixo pra cima, LINDO é olhar nos olhos, frente a frente e isso só se consegue com RESPEITO!

“Não sou nada.
Nunca serei nada.
 
Não posso querer ser nada.
 
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”
 
(Álvaro de Campos - Tabacaria)


Música do dia

Por Amabile Casarin

Não sou fã do Roberto Carlos, mas adoro suas músicas! Sempre digo que as música dele são ótimas... ...cantadas por outros cantores... ehehehehhe

https://www.youtube.com/watch?v=9YfVoRBaKY4


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Sem mais!

Uma coisa eu garanto: nenhuma pessoa no mundo é capaz de fazer o que a tequila faz!!! Ela sempre cumpre o que promete, te levando à loucura e fazendo uma limpeza interna (sentido figurado e literal)!

Então arriba, abajo, al centro y adentro!!





terça-feira, 21 de julho de 2015

Julho

Por Wania Evangelista

Nunca vou me esquecer do primeiro contato que tive com um dos grandes amores de minha vida. Lembro-me do meu coração batendo forte, da fixação, de como fiquei hipnotizada. Foi uma paixão arrebatadora. Por dias não pensava em mais nada. Eu queria mais, precisava conhecer melhor aquilo. Apesar de minha memoria fraca, e ainda hoje não me lembrar de muita coisa da infância, disso eu lembro com perfeição.

Eu era uma menina franzina de uns doze anos, que como a maioria das meninas pobres de minha época vivia sem nenhuma perspectiva ou paixão. Mas de repente, numa manhã de domingo, depois da missa, deparei-me com o que seria um amor para uma vida inteira. Eu não sabia nem podia imaginar o quanto esse amor me influenciaria, mudaria meu jeito de ser e pensar, de ver o mundo. Foi nos lábios de um menino também da minha idade que minha vida mudou. Para sempre serei grata a “Purumga”, moleque sapeca e queimando de sol.  No som de sua voz ouvi pela primeira vez uma música da Legião. Os versos de Faroeste Caboclo que despretensiosamente cantarolava me arrebataram, foi paixão a primeira vista. Aquela letra forte de um “quase repente” me tocou bem lá no fundo. Pedi pra ele repeti e repeti. Que música era aquela? Quem cantava? Cansado da minha insistência e para se livrar de mim, “Purumga” me emprestou uma fita. Foram dias, ouvindo, dando play no toca fitas e copiando. Os mais jovens não podem imaginar o quanto era trabalhoso, no inicio da década de 90, aprender a letra de uma música. Quanto mais ouvia, mais me identificava e mais me apaixonava. Com “pais e filhos” chorei, com “Que pais é este? pude gritar e externar toda a minha raiva e revolta de criança pobre. Minha paixão continuou por um longo período e virou amor, mesmo não tendo assistido um único show da Legião por toda a vida. Assim como a religião moldou meu coração e meu caráter, o rock me politizou, as palavras de Renato Russo despertaram em mim um senso crítico em relação à politica e ao Brasil. Depois de algum tempo esse amor ganhou novos capítulos com Paralamas, Engenheiros, Kid Abelha, Capital, Titãs, Cazuza e tantos outros. O amor ficou forte e sólido. Também ouvi” É o Tchan” e me divertir muito com os passinhos de Axé no carnaval.

Contudo a capacidade de transmitir através da escrita os sentimentos mais profundos, os desejos de toda uma nação ou a vontade de transformar o mundo em um lugar melhor sempre me impressionou. Portanto, me desculpem os que não concordam, mas apenas o rock consegue colocar todos esses sentimentos dentro de uma canção de forma forte, clara e contagiante. Logo, deixo aqui, no mês do rock o meu apoio a Monica Iozzi: Que os jovens de hoje deixem de ouvir apenas música sertaneja e funk e passem a ouvir um pouquinho mais de rock, assim, quem sabe consigam construir um mundo muito melhor no amanhã. Essa é também uma responsabilidade para nós, pais dessa nova geração. Que tipo de música você ensina seu filho a ouvir? O que você está ouvindo com ele?

*Durante o programa "Vídeo Show" do dia 7/o7/15, a apresentadora Monica Iozzi se confessou fã de Cazuza após um clipe que relembrava os 25 anos da morte do cantor. Aproveitou ainda para recomendar aos telespectadores que eles vissem o filme "Cazuza – O Tempo Não Para", com o ator Daniel de Oliveira, e acrescentou: "Eu gosto de sertanejo, mas não pode ser só isso. Vamos parar de ouvir um pouco de funk, vamos parar de ouvir um pouco de sertanejo. Vamos ouvir Cazuza, vamos ouvir Legião Urbana, vamos ouvir Ellis Regina". Monica foi muito criticada nas redes sociais.

O passado que atormenta

Por Amabile Casarin

"Este foi o beijo de despedida
Que se dá uma vez só na vida". *

Quantos beijos de despedidas é possível acontecer na vida?! Não dá para saber, aliás muitas vezes só percebemos que aquele foi o último beijo muito tempo depois. Em alguns casos leva-se meses para tomar consciência!

O ano era 2009, em uma cidade perdida entre o nada e o lugar nenhum. Uma garota perdidamente apaixonada (no sentido literal também) resolve se despencar nesta cidade em um momento totalmente inoportuno. Mesmo não podendo ela arrisca tudo e vai. Vira a noite viajando em um ônibus e depois pega outro ônibus para conseguir chegar à cidade. Mas o amor (ou melhor, a paixão) era tão grande que não havia obstáculos. Depois de dois dias de muita alegria, chegou a hora de pegar mais dois ônibus para voltar pra casa.

_ Nunca duvide do meu amor, ele disse na despedida. Com um beijo final, eles separaram-se.
Esta frase martelou na cabeça por horas, dias, anos. Ora causando felicidade, ora causando raiva. Raiva, sim, porque ele não mostrou este amor em atitudes.

A distância, a carência, o desejo, a necessidade pesaram e nos meses seguintes, brigas homéricas ocorreram via internet! Até que, cansada de viver um amor solitário, ela decide acabar tudo o que não existia. Decidida e imaginando ser dona do próprio coração ela manda um recado a ele falando que não queria mais nada. Mais uma briga ocorre, mas não foi definitiva... outras viriam.

Ah, os 23 anos!!!! Que idade maravilhosa! Você pode tudo! Você imagina que manda no seu cérebro e no coração! Você não mede as consequências! Você simplesmente vai e dane-se se machucar ou machucar alguém! Você sempre acha que está certo! Nada além de você importa!

Talvez este tenha sido o maior erro: pensar que mandava no coração e que poderia esquecê-lo quando quisesse. Não, não foi assim. Ela lembrava dele a todo momento! Aí um dia, não aguentando mais aquela ausência, ela decide ligar para ele e ouve que ele estava muito feliz com outra pessoa. A partir disto não havia mais nada o que fazer. Todos os acertos foram esquecidos, mas os erros não!

Aos poucos, beeeeeem aos poucos mesmo, o amor foi morrendo e ela foi esquecendo do cheiro, da voz, dos gostos, até de algumas histórias. Mas a cicatriz que ficou marcou-a para sempre. Marcou a ponto de fazer ela evitar entregar-se ao amor novamente... até aparecer a pessoa mais errada na vida dela. Mas isto é outra história...


"Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora, com certeza, eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois". *

* Música "Você vai lembrar de mim" do Nenhum de nós



segunda-feira, 20 de julho de 2015

Rosa Apaixonada


   Molhava o gramado quando lembrou-se de Rosa. Lembrou-se de seus olhos verdes, de seus cabelos cacheados de um volume que ela vivia tentando domar. Lembrou-se de seus dedos ágeis ao teclado, por vezes mais rápidos que o próprio raciocínio alcançava.
Seu nome era Rosa. Mas poderia ser Maria, Joaquina, Teresa, Flor, ou um nome qualquer dentre tantos nomes de mulheres que tem jornada dupla, tripla ou até mais.
Rosa era batalhadora, eficiente, bonita. Tinha marido e filhas. E tinha um trabalho. Não um trabalho qualquer. Não era um simples emprego. Era sua maior paixão. Rosa amava o trabalho como uma adolescente que descobre-se apaixonada por seu primeiro amor.
Por vezes vira Rosa sozinha, tarde da noite, com luzes acesas, papéis espalhados pela mesa, computador ligado naquele programa azul e preto que tanto força o olhar. Enquanto todos os outros já cuidavam de suas famílias, de seus lazeres, Rosa batia metas.
As filhas de Rosa clamavam por sua presença, o marido pedia que olhasse mais por eles, mas ela sempre se saía com uma desculpa qualquer: “Só mais uns minutos, logo chego aí” E não chegava.
Suas filhas, na infância, custaram chamá-la de mãe. Rosa viajava a trabalho, passando os cuidados com as filhas para sua fiel escudeira: Potira. Potira era a mãe. Rosa era visita em casa.
Certo dia, Rosa adoeceu. O médico para melhor tratá-la, achou por bem interná-la no hospital da cidade. Dentre uma medicação e outra, Rosa fugiu do hospital. Pretendia voltar a tempo da próxima injeção. Rosa não foi ver a filha pequena, não foi ver o marido carente. Rosa foi trabalhar.
Como toda paixão não correspondida um dia torna-se desilusão, o caso de Rosa um dia rompeu-se.
E Rosa desmoronou...
Esperava que o patrão correspondesse sua dedicação à altura. Ocorre que o patrão de Rosa a via como é comum aos patrões: ele não tinha paixão por ela. Tinham um acordo que consistia nela executando as tarefas que lhe eram atribuídas e, em contrapartida, dava-lhe certa quantia que equivalia ao seu salário.
Porém o salário não bastava à apaixonada Rosa. Queria ela proteção, queria ser ouvida, necessitava, sob a perspectiva de seu olhar iludido, de cuidados, de atenção.
Dizem que o ódio é o sentimento mais próximo do amor. No dia que o patrão disse não à antes submissa mulher, a paixão que Rosa nutria pelo trabalho transformou-se em ódio.
Encontrara Rosa outro dia na rua. De seus olhos outrora atentos e brilhantes chispavam raios de fúria e decepção. Seu sorriso antes colorido de um baton levemente avermelhado, agora trazia a cor da estação seca que impera na região: o amarelo. Sua boca proclama em alta voz em meio aos transeuntes: “Ódio, eu vivo agora de ódio!!!”. Rosa está doente. Usa o dinheiro que ganhou em anos de trabalho para tratar os males que o próprio trabalho lhe causou.
Então sentiu-se triste e impotente perante Rosa. Queria ajudá-la, dizer-lhe palavras que a reconfortasse, mas tudo o que conseguia era o afastamento. Cada dia mais. Queria que Rosa encontrasse um novo amor. Agora mais brando, adulto, liberto. Que a fizesse esquecer seus desencantos. Que tirasse dessa experiência uma bela lição.

Pensou que Rosa poderia ser oradora. Daquelas palestrantes de auto-estima. Tal qual um condenado que se entrega à conversão, Rosa deveria espalhar sua história pelo mundo, ensinando as pessoas que existe vida fora do trabalho, que é preciso aprender a dividir as horas do dia, os meses do ano, a obrigação e o prazer. Rosa precisa aprender a crescer entre espinhos, a tornar-se exemplo de resistência e resiliência feminina. Rosa agora precisa ser mãe. Não só de suas filhas já adultas, mas de todas aquelas mulheres que abdicam de suas vidas ambiciando mais pela carreira que pela sua própria família.

* Imagem retirada de "muitomaispaulista.blogspot.com"

“Não preciso de modelos, não preciso de heróis... Eu tenho amigos”



Não quero ser injusta com alguns que não se encaixam no termo “amigo”, mas quero menos ainda ser desonesta com os eleitos, aqueles que conquistaram seu lugar “sob o meu sol”. Há amizades que chegam a um estágio de maturidade que já não se sabe se são amigos ou se são família. Aliás, sabemos sim, são uma família diferente. Amamos como se fossem de nosso sangue (em alguns casos, mais que os consanguíneos), mas sem todas as barreiras culturalmente ou naturalmente nos impostas. Amamos a ponto de  brigar, nos desentender, implicar, criticar (Ah... meu caro, mas ai de quem fizer isso, comprou briga e briga das boas. Críticas só as nossas pra gente mesmo, de outros não é crítica, é guerra!),  ficar morrendo de raiva às vezes, não telefonar, não deixar recado, depois simplesmente se esquece e vai correndo pro colo, pro ombro, pra gandaia (pra gandaia com mais frequência)... enfim, basta vermos ou pensarmos uns nos outros pra sabermos que estes nunca deixaram nem deixarão de estar nos seus lugares e nunca deixarão de ser motivos de sorrisos involuntário!





Há os amigos que são durões, que gostam de estar ou demonstrar estar sempre bem, mas só quem é amigo sabe quando se está ou quer estar bem. Amigo não é pra ser juiz ou júri um do outro, amigo é pra apoiar. Quando errado numa conversa do nível (amiga) explicar, entender e ajudar (falo isso, mas na maioria das vezes, quando um de nós erra o outro da logo um jeito de abonar, não que não enxerguemos nossas faltas, mas porque pra nós elas são tão pequenas e é tão difícil enxergar o erro dos amados!). Têm os amigos que, não fossemos nós especialistas em decifrar enigmas, nunca os conheceríamos. São fechados, mas não se enganem seu mundo é enorme. Os que olham superficialmente não sabem o tamanho e a força que há dentro deles (e se não enxergam isso é porque não merece mesmo ser amigo de alguém assim), eles são vulcões adormecidos.! Há aqueles que são carentes, precisam de você com mais frequência, são mais emocionais e você tem que cuidar com tudo o que diz por que pode magoá-lo, são quase de vidro (prazer, Deda). Já outros são o contrário. São uma fortaleza, falam demais, falam qualquer coisa, falam besteira o tempo todo... Quem não conhece pode até julgar mal. Com certeza não vai enxergar o coração enorme, a idoneidade e a integridade que são, mais que suas bobeiras, sua característica primeira e maior. Já outras amizades são tão antigas que testemunharam sua cara cheia de espinha, seu jeito rebelde de ser, seus sonhos e suas maiores loucuras. Com o tic-tac do relógio já não testemunhamos mais só as sandices, testemunhamos também o crescimento, as escolhas e a alegria de viver. Testemunhamos crisma, casamento, batizado, separação e casamento de novo; não há fim e você já não sabe se é passiva (testemunha) ou ativa... Sei sim! Com as devidas permissões, somos agentes da nossa história, vivemos juntas; juntas, mas cada uma do seu jeito, cada um no seu caminho, longe, mas sempre perto... Há as amizades que são independentes financeiramente e emocionalmente, mas mesmo quem não precisa de um homem ou de uma mulher pra ser feliz precisa de um amigo pra compartilhar as alegrias e as tristezas, porque amizade é isso...

É compartilhar, é comunhão, é amor.

Amor no seu sentido pleno, pois, em se tratando de amizade, não há possibilidade de erro...
Enfim, eu posso me encaixar em todos esses conceitos de amizade ou em nenhum. Às vezes sou amiga pra todas as horas, mas posso deixar vcs na mão. Posso ser um poço de compreensão ou de supressão. Posso abraçar e posso dar as costas. Posso sorrir e posso chorar. Posso acolher e posso abandonar. Posso fazer várias coisas ou nenhuma. Mas qualquer um desses momentos (carinho, mágoa, compreensão, supressão, abrigo, falta, chegada e partida) sei que vão passar e o que vai restar vão ser as boas lembranças e a certeza que de nada irá mudar, ou como disse Leoni “O que vai ficar na fotografia São os laços invisíveis que havia. As cores, figuras, motivos O sol passando sobre os amigos. Histórias, bebidas, sorrisos E afeto em frente ao mar” (na casa da Josi, de preferência).

E eu sou bem convencida com os amigos que eu tenho; mas como não ser convencida se eu tenho os MELHORES AMIGOS?


Feliz dia do Amigo pra vocês que, só de lerem isso, vão me mandar uma mensagem agradecendo. Vocês sabem exatamente quem e o que são na minha vida!

AMO VOCÊS!
Deda.


P. S título extraído da Musica Comédia Romântica do Legião Urbana.