quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Divagando um amor que já se foi

Por Janete Kozak

Pra você amigo, que hoje me perguntas: você ainda gosta dele?
Eu, triste, pensativa, respondo: sinto saudades!
E me perguntas então, como posso trazer no meu coração esse alguém que me traiu, magoou, feriu. Que no fim me desrespeitou, fugiu.
Afinal, gostas ou não?
Do que hoje vejo a minha frente, não gosto muito, aliás, nem muito nem pouco. Sinto indiferença. 
E uma pena enorme do nós que morreu. No dia em que fracassamos. Em que deixaste tua ânsia carnal te dominar e eu, minha fúria. Ah minha fúria fria e calculista...
Agora te respondo bem certo: mas ele também me amou. Por muito tempo me cuidou, beijou meu corpo em lugares impublicáveis. Tomou-me em seus braços por tantas e tantas vezes... me aqueceu no frio e dividiu comigo nosso humilde ventilador nas noites de verão. Ouviu meus segredos e suportou, nada feliz minhas TPMs.
É amigo, por algum tempo esse traidor me fez feliz.
E eu o amei nos momentos felizes. Ah, como eu o amei!
E na sua fraqueza, quando ele não foi capaz de sustentar seu amor, eu o abandonei.
Amar na felicidade é fácil, é bom, quero ver é amar na dor, na dificuldade, na fraqueza, na infidelidade...
Quando ele não mais me fez feliz, de nada valeram os dias que passamos juntos.
Acho que não aprendi a amar.
E por isso sinto saudades. Saudade desinteressada. Saudade do tempo em que foi bom.

Só saudades, nada mais.

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