quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Tempo em que me lembro

Por Tallyta Motta *

Lembro de um tempo em que para acalmar a saudade textos e textos, que pareciam mais uma bíblia, eram criados relatando os medos, angústias, desejos e toda paixão que estávamos vivendo. Nós éramos o que deveria ser a primeira coisa do teu dia.
Lembro de um tempo em que meu mundo, meus sonhos e meus desejos e planos eram você. Tempo em que os dias e noites eram em transa, se amando, vivendo nosso cheiro, na cama, no banho, no carro, na piscina. Tantos lugares, quantos momentos! Nossa!!!!
Lembro de um tempo em que me entreguei a uma paixão ardente, onde consequências não eram questionadas. Nosso cheiro proporcionava orgasmos de montão, o limite não existia, a cama não resistia, e por duas vezes foi consertada, nossos corpos nus aqueciam a piscina fria, as músicas altas mascaravam os ruídos e gemidos atrevidos. Momentos flagrados e depois satirizados, momentos que ajudaram a formar nossa história.
Lembro de um tempo em que a cama era nosso ninho, onde além de nos devorar em fantasias e experimentações também nos acolhia para assistir nossa série favorita, enquanto acabávamos com pratadas de melancia e descansávamos da tentação.
Lembro de um tempo onde os jogos de futebol acabavam sendo curiosidade, para me inteirar da minha nova paixão. Tempo em que só desejava ser a princesa de um homem confusão.
Lembro de um tempo onde tudo desabou, destruindo parte do meu "forte" coração. Mas, de tudo que me lembro, só guardo aqui dentro o que me trouxe desejo e paixão. Ser forte ou ser fraca, tudo o que importa são as coisas boas compartilhadas e desejadas nessas vidas tão opostas. Se feriu, não me importa, pois toda felicidade proporcionada naquele tempo em que me lembro é o que realmente ficou aqui dentro. Lembro de um tempo, e que tempo!
Tempo que se perdeu no próprio tempo, aguardando um fim ou um novo começo. É o tempo em que me lembro.


* Colaboradora e leitora do As filhas da pauta.

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