segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O Colchão de Três Furos

Por Janete kozak

Pensei ser inédita a idéia, quando na gravidez, sofrendo com a terrível falta de posição para dormir, com saudades de debruçar-me num colchão macio, imaginei cada detalhe do colchão de três furos.
Seriam dois furos pequenos. Atravessariam o bendito colchão na parte superior (caso colocado na vertical), cerca de 40 a 50 centímetros a partir do início deste. Seriam para os seios. Só quem já esteve grávida imagina a utilidade desses furos para depositar os seios quando deita-se de bruços. Sim, eles ficam lindos, grandes e intocáveis, tamanha a sensibilidade que os acompanha no burburinho de hormônios próprios da gestação.
O terceiro furo, fácil imaginar, seria bem ao centro do revolucionário colchão. Grande, ajustável se possível. Caberia uma barriga com a prole lá dentro, esperando a hora de nascer.
Desenhei o colchão, imaginei como faria para ajustar o orifício destinado ao barrigão para cada mês da gestação. Quem o fabricaria num material antialérgico e fresquinho?
Fui amadurecendo a idéia com o passar dos meses da gestação. Enquanto não fabricava o colchão, dormia como podia, virando-me de um lado a outro, sonhando com o dia que ajudaria tantas futuras mães a deitar confortavelmente de barriga para baixo e dormir, dormir, dormir.
Faltou patentear a idéia. Faria isso depois. Qual não foi minha surpresa quando, depois que já parira meu bebê, minha sobrinha envia uma foto capturada na internet: o colchão já existia. Não era amplamente comercializado, nem conhecido. Mas estava lá, pronto pra me mostrar o quão lenta fora eu.

Até hoje procuro o plageador que roubou minha brilhante idéia.
* Imagem tirada do site"marinarezende.com.br"

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