Por Janete kozak
Pensei ser inédita a idéia, quando na gravidez, sofrendo com
a terrível falta de posição para dormir, com saudades de debruçar-me num
colchão macio, imaginei cada detalhe do colchão de três furos.
Seriam dois furos pequenos. Atravessariam o bendito colchão
na parte superior (caso colocado na vertical), cerca de 40 a 50 centímetros a
partir do início deste. Seriam para os seios. Só quem já esteve grávida imagina
a utilidade desses furos para depositar os seios quando deita-se de bruços.
Sim, eles ficam lindos, grandes e intocáveis, tamanha a sensibilidade que os
acompanha no burburinho de hormônios próprios da gestação.
O terceiro furo, fácil imaginar, seria bem ao centro do
revolucionário colchão. Grande, ajustável se possível. Caberia uma barriga com a
prole lá dentro, esperando a hora de nascer.
Desenhei o colchão, imaginei como faria para ajustar o orifício
destinado ao barrigão para cada mês da gestação. Quem o fabricaria num material
antialérgico e fresquinho?
Fui amadurecendo a idéia com o passar dos meses da gestação.
Enquanto não fabricava o colchão, dormia como podia, virando-me de um lado a
outro, sonhando com o dia que ajudaria tantas futuras mães a deitar
confortavelmente de barriga para baixo e dormir, dormir, dormir.
Faltou patentear a idéia. Faria isso depois. Qual não foi
minha surpresa quando, depois que já parira meu bebê, minha sobrinha envia uma
foto capturada na internet: o colchão já existia. Não era amplamente
comercializado, nem conhecido. Mas estava lá, pronto pra me mostrar o quão lenta
fora eu.

Nenhum comentário:
Postar um comentário