Vivemos em tempos de dores, das
mais diversas pelos mais torpes, incompreensíveis e/ou incontroláveis motivos. São
tempos difíceis onde trocamos de lugar, passamos da alma pra lama. Trocamos valores
por números como se ambos significassem a mesma coisa. Pra onde estamos indo? Talvez
generalizar seja um grande erro, falarei por mim. Desnudarei-me.
Desde que me entendo por gente
tinha como objetivo o bem. Isso não foi algo que eu aprendi, eu nasci com isso,
com essa preocupação e essa capacidade de me colocar no lugar do outro (prova
disso que quando tinha meus cinco ou seis quando contávamos aquela famosa
musiquinha na fila ou na sala de aula “Há três noites que eu não durmo, ola lá!
Pois perdi o meu galinho, ola lá! Coitadinho, ola lá! Pobrezinho, ola lá! Eu
perdi lá no jardim” meus coleguinhas todos animados contentes batendo palmas e
eu sempre, SEMPRE, caía no choro pois não conseguia deixar de pensar no pobrezinho
dono do galo e no galinho perdido. Coitado,
tinha três noites que ele não dormia, já pensaram o quanto ele estava
desesperado, chorando e pedindo pelo pobre animalzinho? Pois então, eu com
cinco ou seis anos pensava, eu não conseguia me concentrar em outra parte da
musica e não entendia como eles conseguiam gostar daquela musica. Isso é uma
coisa que nunca esqueci da minha infância e tristemente digo que é uma coisa
que sinto saudade.
O que eu fiz da minha vida? O que
eu fiz com meus princípios? Não que eu seja uma bruxa ou uma propagadora do
mal, mas sinto uma saudade fora do comum daquela pureza e singularidade. Hoje como
adulta não tenho vergonha do que eu me tornei, mas também não tenho orgulho. Outro
dia escrevi sobre se perder e se encontrar, pois então eu me perdi nessa busca
do que ser e o que fazer, graças a Deus minha perca não me levou a caminhos
obscuros, mas me levou a caminhos que não são meus. Talvez eu nem deva pensar
que eu me perdi, talvez faça parte do processo de ser eu, tenha sido uma parte crucial
da minha fundamentação, pois se não tivesse passado por isso não teria a
bagagem e aprendizado pra chegar ate aqui e ter consciência que estou no lugar
errado. Já faz dias que tomei essa decisão, estou cansada de não ser eu, voltarei
a cantar (meu Deus, de novo? Fazer o quê, se vivo de reencontrando. Não sei se
me perco demais ou se sou complexidade mesmo, um dia quem sabe eu aprenda,
mesmo que pra isso me perca de novo kkkk).
Brincadeiras à parte, não é fácil
quando você tem toda uma estabilidade emocional e financeira parar, pensar e descobrir
que está errado e estar disposta a recomeçar. É isso que estou buscando nesse
momento, aquela Vanderléia que era capaz de se emocionar com uma música, que
pensava no outro e na sua dor. E como eu disse no enunciado vivemos tempos de
dores, há uma urgência de amor e de compreensão. É isso que eu quero ser quando
crescer e eu ando lutando muito por isso. CRESCER!
Foto retirada do site: http://dtcom.com.br/voce-vai-ser-quando-crescer/
P.S E nem adianta alguém dizer (ou pensar), mas ela ja passou da idade pra isso, com certas coisas nunca aprendi a crescer!

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