sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O apego dos desapegados



Desde a criação do blog, estou me segurando para não escrever. Mas, como tem coisas que ficam entranhadas em nós, não tive como evitar e aqui estou, diante do computador para me deleitar na ideia de expressar o meu pensamento (coisa que não posso fazer no cotidiano).

Por muitas vezes, me vejo nesses dilemas que são as mudanças. Gosto de me sentir segura para fazer algo que não sou acostumada. De todas nós, acredito que eu tenha sido a que menos mudou a aparência. A vida inteira tive cabelos cacheados e muito volumosos. Passei cerca de três anos alisando e resolvi voltar a ter cabelos enrolados. Agora, continuo no dilema dos cabelos, mas com relação a cor. Gosto demais deles pretos. Pintei uma única vez, mas não gostei e nunca mais resolvi mudar. Mas, agora tenho que mudar para começar esconder alguns fios que estão destoando do normal. Já tive muitas ideias, mas em relação ao cabelo, devo confessar que sou muito preguiçosa e não tenho muita paciência para cuidar.



Toda esta introdução é para entrar em um assunto que li sobre religião. Uma filha de padre que relatou em depoimento, sem exageros, sobre a sua situação, seus conflitos, sua formação de caráter. A abordagem foi tão sensata que ela não conseguiu julgar se houve erros da própria mãe que a obrigou a ficar em silêncio, do pai padre que se absteve que assumir a "família" e da igreja que condena essas atitudes de sacerdotes.

Em demasia, uma atitude destas seria julgada por muitos como falta de abertura da Igreja Católica, uma entidade cheia de dogmas, crenças e que já fez muita gente sofrer e morrer em nome de Deus. No entanto, não quero aqui defender ou dizer que os fiéis católicos têm que pedir uma maior abertura da igreja para assuntos que estão em voga. Sou católica, já fui mais praticante e acredito em um Deus que é amigo, protege e abençoa as pessoas que fazem o bem sem olhar a quem.

Defendo sim que a igreja deve aceitar os homossexuais, casamento de separados, pois encontramos na bíblia um Deus que não faz distinção entre seus filhos e que prega o amor ao próximo como um dos mandamentos que deve ser seguido de forma incondicional.

Porém, acredito que quando alguém decide seguir uma vida religiosa, militar ou qualquer uma que imponha regras, que deve conhecê-las (as regras) antes de dizer o sim. Se um padre sabe que um dos votos é a castidade, ele deve ser consciente para aceitar, pois há muitas formas de participar ativamente de uma religião, igreja sem ter que ser sacerdote, freira ou coisa parecido.

Enfim, uma filha de padre não deve ser julgada pelos apegos ou desapegos da religião que a ela foi apresentada. Aos costumes que lhe foram impostos. Mas, para mudar é preciso conhecer e se sentir segura. Mas, neste caso é difícil, acredito que impossível, apontar o dedo e dizer que um ou outro está errado. O amor pregado por Deus e estampado nas páginas da bíblia foi consumado entre um homem e uma mulher e gerou uma filha. Se ele é padre ou não, é uma condição da igreja, mas antes de tudo é um homem e como qualquer outro está exposto a realidade, ao amor. Veio de uma família que lhe ensinou a viver, lhe mostrou lados e houve uma escolha. Ele escolheu viver para Deus e para o homem.

Portanto, deixemos de ser apegados aos rótulos e comecemos a viver. Simplesmente VIVER EM AMOR.


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