É engraçado com a vida vai delineando os traços fortes e apagando os fracos. Lições que não podemos reviver. Incrivelmente, tudo vai ser construindo e nada é perene. Algumas imagens, cenas da nossa vida vão se esvaindo como se nunca tivessem existido.
Numa viagem dentro minhas memórias, eis que encontrei uma amiga que há tempos não via. Uma menina alegre, sorridente, cheia de vida. E sem motivo. Ela é Mariana. Simplesmente Mariana.
Ficamos um tempo conversando. Nem percebi a hora passar. Mas, me dei conta que Mariana não é a mesma. Esse tempo em que ficamos distantes, foram muitos acontecimentos que tiraram o brilho de Mariana. Aquele sorriso fácil, agora é difícil ser visto. Aquela vivacidade parece estar submersa em ceticismo. Fiquei me questionando o porquê dessa abdicação em prol de algo que nem ela mesma sabe o que é.
Lembro-me que Mariana gostava da vida. Agora ela foge. A alegria está disfarçada no rosto tímido e cheio de marcas de coisas pelas quais passou e somente ela pode dizer. A vida que pretendia, Mariana não teve. Perdeu a inocência e sem nem ao menos saber que era inocente. Desfez-se da vida sem saber.
Muitos anos depois, tenta reencontrar. Mas fantasmas ainda a atormentam e não gosta de falar. Sorri ainda, para mostrar que é inabalável. É forte, mas sobre um terreno arenoso. É sagaz, mas em meio a leões.
Observando Mariana percebo que ainda pode ser resgatada. Mas precisa ter coragem. Mas o contorno da coragem não tem um traço forte.
Lindo demais quando um(a) amig@ passe muito tempo longe e mesmo assim consegue perceber o outro. Mostra que a amizade transcende tempo, quilômetros, silêncio, outras amizades. No final a essência do que é importante é o que conta e a sensibilidade de perceber o outro mostra a verdadeira amizade.
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